Malês, longa-metragem dirigido por Antônio Pitanga, conquistou o Troféu Jangada de Melhor Filme pelo júri popular no encerramento do 28º Festival de Cinema Brasileiro de Paris, ocorrido nesta terça-feira, 14 de abril. A produção marca o retorno de Pitanga à cadeira de direção após um hiato de quase cinco décadas e retrata a Revolta dos Malês, levante histórico de escravizados ocorrido em Salvador no ano de 1835. O evento, sediado no tradicional cinema L’Arlequin, registrou um crescimento de 10% em relação ao ano anterior, atraindo um público total de 7.751 pessoas durante os oito dias de mostra em solo francês.
A obra vencedora explora as tensões sociais e o combate à intolerância religiosa no Brasil do século XIX, apresentando um elenco que reúne nomes como Rocco Pitanga, Camila Pitanga, Bukassa Kabengele e Patrícia Pillar. Com roteiro assinado por Manuela Dias, o filme já passou pelas salas de cinema brasileiras e reforça o vigor da produção nacional no exterior. Segundo a curadora Katia Adler, o sucesso desta edição evidencia a relevância de promover o audiovisual brasileiro no cenário internacional como forma de criar pontes culturais e fortalecer a indústria do país na Europa.
Outro destaque da premiação foi o drama “Tudo que Aprendemos Juntos”, de Sérgio Machado, que recebeu o Prêmio do Júri Jovem concedido por estudantes parisienses. O filme é protagonizado por Lázaro Ramos, que interpreta um violinista em busca de redenção através do ensino de música na comunidade de Heliópolis, em São Paulo. Lázaro, inclusive, foi um dos grandes homenageados do festival ao lado de sua esposa, Taís Araujo. Pela primeira vez na história do evento, o tributo foi dedicado a um casal, celebrando a trajetória conjunta de ambos na televisão e no cinema do Brasil.
A programação também reservou momentos de emoção com uma homenagem especial a Paulo Gustavo, que contou com a participação de Thales Bretas e Ingrid Guimarães. Na ocasião, o público conferiu conteúdos inéditos e uma prévia de “Minha Melhor Amiga”, nova comédia dirigida por Susana Garcia que chega aos cinemas brasileiros em setembro deste ano. Além das exibições, o festival promoveu debates com realizadores de diversas obras, como Rosane Svartman, Fabiana Karla e Christian Malheiros, consolidando o espaço como um importante centro de discussão sobre a cultura brasileira em Saint-Germain-des-Prés.



