Loop, dirigido por Bruno Bini, aposta na ficção científica como base para um drama psicológico centrado em viagem no tempo, mas o resultado final se apoia mais no clima melancólico e na estética do que na consistência narrativa. Estrelado por Bruno Gagliasso, o filme acompanha Daniel, um homem emocionalmente abalado após a morte da namorada Maria Luiza, interpretada por Bia Arantes, e que passa a tentar reverter o passado a partir de experimentos com deslocamento temporal.
Veja o trailer abaixo.
Atuação de Bruno Gagliasso e eixo emocional do filme
A construção do protagonista é sustentada principalmente pela atuação de Gagliasso, que investe em uma composição introspectiva e fisicamente marcada pela fragilidade emocional. O personagem encontra na relação com a irmã Simone, vivida por Branca Messina, seu principal ponto de equilíbrio dramático, em uma dinâmica que adiciona humanidade a uma narrativa centrada em perdas e obsessões. Esse vínculo familiar se torna um dos elementos mais sólidos do longa, funcionando como contraponto ao colapso psicológico do protagonista.
Fragilidades no romance e nas regras de viagem no tempo
Foto: Pandora FilmesNo entanto, o desenvolvimento do romance que motiva toda a trama apresenta fragilidades estruturais. A relação entre Daniel e Maria Luiza não é aprofundada a ponto de sustentar com clareza o impacto da tragédia inicial, o que enfraquece parte da motivação central da história. À medida que o roteiro avança, as regras envolvendo a viagem no tempo também surgem de forma irregular, com explicações que nem sempre se mantêm consistentes dentro da própria lógica estabelecida pelo filme.
Desequilíbrio narrativo e consequências dramáticas
Foto: Pandora FilmesEsse desequilíbrio narrativo se reflete na forma como o longa lida com suas consequências dramáticas. Em alguns momentos, as escolhas do protagonista e os efeitos de suas ações acabam diluídos por soluções de roteiro que priorizam o avanço da trama em detrimento de uma construção mais sólida das implicações morais e emocionais. Isso cria uma tensão entre a proposta de drama existencial e a execução prática dos eventos.
Estética e ambição do cinema de ficção científica brasileiro
Mesmo com essas limitações, Loop se destaca por tentar ocupar um espaço ainda pouco explorado no cinema brasileiro recente ao investir em uma ficção científica de escala emocional e estética mais ambiciosa. A fotografia, marcada por tons frios e enquadramentos que reforçam o estado mental do protagonista, contribui para a atmosfera de instabilidade que permeia toda a narrativa.
Conclusão: força estética acima da coerência narrativa
No conjunto, o filme se sustenta mais pela proposta estética e pela atuação central do que pela coerência de seu roteiro. Ainda assim, Loop se apresenta como uma tentativa relevante dentro do gênero no cinema nacional, combinando drama íntimo e ficção científica em uma obra irregular, mas com ambição clara de construção narrativa e visual.




