Crítica: Deep Water resgata o caos de tubarões e desastre aéreo de Renny Harlin

Aaron Eckhart e Ben Kingsley em cena de sobrevivência em Deep Water
Foto: Magenta Light Studios

O diretor Renny Harlin tenta recuperar o fôlego comercial de sua carreira com Deep Water, suspense que chega aos cinemas brasileiros em 30 de abril. O longa funciona como uma espécie de sucessor espiritual de Do Fundo do Mar, apostando em uma premissa de desastre duplo que envolve a sobrevivência a uma queda de avião seguida pelo cerco de predadores marítimos. Estrelando Aaron Eckhart e Ben Kingsley, a produção abraça uma estética funcional e direta, remetendo aos filmes de catástrofe que dominaram as telas na década de 70.

A narrativa acompanha um voo de Los Angeles para Xangai que termina em tragédia após um incêndio no compartimento de carga causar uma explosão na fuselagem. Harlin executa a sequência do acidente com um estilo extravagante, priorizando o impacto visual e a fisicalidade da cena. Após o pouso forçado no oceano, os sobreviventes, liderados pelo primeiro oficial melancólico vivido por Eckhart e o capitão cínico de Kingsley, ficam confinados aos destroços da aeronave, que servem como botes improvisados em um mar infestado por tubarões-mako.

Diferente de obras que utilizam o medo da sugestão, Deep Water foca na exposição explícita e sangrenta dos ataques. O roteiro tenta inserir camadas de drama humano ao explorar traumas familiares do protagonista e sua conexão com uma jovem órfã, além de apresentar passageiros com motivações simples que servem majoritariamente como vítimas para as criaturas. Embora os arcos dramáticos sejam lineares, o filme entrega uma fantasia sensacionalista de sobrevivência extrema onde o suspense reside na brutalidade das sequências de ação.

Com um elenco que ainda conta com Angus Sampson e Molly Belle Wright, a obra não nega sua natureza de filme de gênero com maior orçamento. No Brasil, o público poderá conferir a partir desta quinta-feira a tentativa de Harlin de retomar sua marca no cinema de ação exploitation, onde o perigo iminente dos dentes afiados substitui qualquer pretensão de profundidade narrativa. O resultado é um produto de entretenimento voltado para entusiastas do subgênero de sobrevivência, focado no espetáculo visual do caos em alto-mar.

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