Vaticano vai ao Oscar pela primeira vez com curta sobre jovem com distrofia

“Green Lava” acompanha jovem com distrofia muscular em curta documental ligado ao Vaticano.
Foto: 49Global Media

O Vaticano vai participar pela primeira vez do processo de consideração do Oscar com uma produção cinematográfica. “Green Lava”, curta-metragem documental de 39 minutos dirigido por Lia Beltrami e Ali Aksu, será submetido à Academia na categoria de Melhor Curta-Metragem Documental após uma temporada de exibição em Los Angeles. A informação foi divulgada com exclusividade pela Variety.

A produção acompanha Giacomo Mattivi, italiano de 22 anos que vive com Distrofia Muscular de Duchenne. A história também passa pela perda de seu irmão Mattia, que morreu em 2022 em decorrência da mesma doença, e pela maneira como Giacomo encontrou apoio na família e na comunidade onde vive.

Ambientado nas Dolomitas, no norte da Itália, o documentário não concentra sua narrativa apenas na condição de saúde do protagonista. Giacomo é estudante de sociologia, trabalha como catequista, escreve poesia e mantém interesses por cinema, música e natureza. A relação com as pessoas ao seu redor também ocupa um espaço importante na história.

A produção foi realizada pela Emotions to Generate Change, empresa de Beltrami, em colaboração com Vatican News, Radio Vaticana e Vatican Media, órgãos ligados ao Dicastério para a Comunicação do Vaticano. O filme é falado em italiano e conta com legendas em inglês.

“Green Lava” será exibido no Lumiere Music Hall, em Beverly Hills, entre 18 e 24 de setembro. A temporada em Los Angeles faz parte do processo de qualificação para a categoria de Melhor Curta-Metragem Documental do Oscar. O documentário já havia sido apresentado em Roma em janeiro de 2025, durante o Jubileu do Mundo das Comunicações.

É importante, porém, diferenciar a submissão para consideração de uma indicação ao Oscar. “Green Lava” ainda não está entre os indicados à premiação. A equipe pretende cumprir as exigências para que o filme seja analisado pela Academia, e sua eventual presença entre os concorrentes dependerá das etapas de seleção da categoria.

Também não se trata de uma submissão oficial do Vaticano equivalente ao processo utilizado na categoria de Melhor Filme Internacional. Curtas-metragens seguem regras próprias e não precisam de uma indicação formal de governo ou de um comitê nacional para serem apresentados à Academia.

Paolo Ruffini, prefeito do Dicastério para a Comunicação do Vaticano, afirmou à Variety que a história de Giacomo merece alcançar um público amplo. O responsável pelo setor de comunicação do Vaticano descreveu “Green Lava” como uma história sobre vida e amizade e destacou a contribuição que pessoas marcadas por doenças podem oferecer às relações e comunidades das quais fazem parte.

Beltrami conhece de perto a realidade retratada no documentário. A diretora vive na mesma vila que Giacomo e sua família e afirmou que ficou especialmente marcada pela maneira como os moradores se uniram em torno do jovem, com atitudes de cuidado e inclusão.

Para Giacomo, a possibilidade de o filme chegar ao Oscar representa principalmente uma oportunidade de ampliar o alcance dessa história. Em entrevista ao Vatican Media, ele afirmou estar feliz com o momento e destacou o desejo de que a mensagem do documentário possa chegar ao maior número possível de pessoas.

Com a exibição em Beverly Hills, “Green Lava” inicia uma nova etapa de sua trajetória e coloca uma produção realizada em colaboração com o Vaticano no caminho de uma das principais premiações do cinema. A participação no processo do Oscar, por enquanto, representa uma tentativa de qualificação, e não uma indicação confirmada.

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