Luca Guadagnino defendeu publicamente Timothée Chalamet após a repercussão negativa de comentários feitos pelo ator sobre o futuro da indústria cinematográfica. Em declaração recente, o protagonista de “Marty Supreme” afirmou temer que a experiência de ir ao cinema se torne algo restrito e pouco popular, comparando o setor ao balé e à ópera, artes que, segundo sua visão, as pessoas tentam manter vivas mesmo quando o público geral não demonstra mais interesse. O cineasta italiano, responsável por projetar Chalamet ao estrelato mundial no filme “Me Chame Pelo Seu Nome”, minimizou a gravidade da situação em entrevista ao jornal La Stampa.
O diretor afirmou não acompanhar redes sociais e demonstrou surpresa com a dimensão que um único comentário pode tomar em escala global. Apesar de ponderar que o ator poderia ter evitado a comparação, Guadagnino ressaltou que Timothée é um jovem inteligente e sensível que apenas manifesta preocupação com a marginalização da sétima arte. Segundo o cineasta, o foco atual deve ser o cultivo de todas as formas de imaginação e a integração das linguagens artísticas, e não a sua separação.
A fala de Chalamet causou indignação em diversas instituições culturais, incluindo o festival Maggio Musicale Fiorentino, em Florença. O centro artístico rebateu o ator convidando-o para assistir à montagem de “A Morte de Klinghoffer”, ópera dirigida pelo próprio Guadagnino que estreia no dia 19 de abril. A obra em questão trata do sequestro do navio Achille Lauro ocorrido em 1985 e do assassinato de um passageiro norte-americano, misturando drama contemporâneo e dança moderna para explorar conflitos históricos entre diferentes povos.
A dedicação de Guadagnino ao gênero operístico seguirá intensa no próximo ano, com a direção de “Un Ballo in Maschera” no tradicional teatro La Scala, em Milão. O cineasta reforçou que seu trabalho nesses espetáculos não busca apenas publicidade por ser um nome do cinema, mas representa uma entrega genuína à direção teatral. Para ele, a ópera é uma forma de arte pulsante que continua gerando conexões profundas com a realidade atual.
Paralelamente aos palcos, o diretor confirmou que seu novo longa-metragem, intitulado “Artificial”, está em fase de finalização e deve estrear no Festival de Cinema de Veneza, no segundo semestre deste ano. O filme, produzido pela Amazon MGM Studios, aborda dilemas éticos de um grupo de jovens envolvidos com o desenvolvimento de inteligência artificial generativa. O elenco de peso conta com nomes como Andrew Garfield, Monica Barbaro, Jason Schwartzman e Yura Borisov, elevando as expectativas para o lançamento no mercado brasileiro.



