“A Odisseia” e “Homem-Aranha: Um Novo Dia” são alvos de pirataria poucos dias após estreia

A Odisseia, de Christopher Nolan, supera Deadpool & Wolverine e assume o recorde de bilheteria entre filmes com classificação R.
“Foto: Universal Pictures

Uma cópia pirateada de “A Odisseia” começou a circular online apenas oito dias depois da estreia do filme nos cinemas. O caso expõe como a pirataria passou a acompanhar grandes lançamentos em uma velocidade que representa um novo desafio para Hollywood.

De acordo com a Variety, a versão do filme de Christopher Nolan apareceu na plataforma X e chegou a ser disponibilizada para espectadores antes de ser removida por violação de direitos autorais.

Homem-Aranha: Um Novo Dia” enfrentou uma situação semelhante. Segundo a reportagem, uma cópia ilegal do longa chegou a ser exibida para 5,9 milhões de contas do Google Play no próprio dia da estreia, antes de o estúdio bloquear o conteúdo.

“A Odisseia” e “Homem-Aranha: Um Novo Dia” aparecem em casos de pirataria poucos dias após suas estreias nos cinemas.
Foto: Sony Pictures

O que mudou não é apenas a existência da pirataria, mas a velocidade com que ela se espalha. Durante décadas, gravações feitas dentro dos cinemas precisavam ser copiadas e distribuídas fisicamente. Agora, um arquivo pode chegar às redes sociais e ser replicado em diferentes plataformas em pouco tempo.

“Uma vez que um filme é lançado mundialmente, alguma pirataria é inevitável”, disse uma fonte de um grande estúdio à Variety. O problema se torna especialmente sensível porque a estreia nos cinemas continua sendo uma etapa fundamental para recuperar os investimentos de uma produção.

A dimensão financeira também é difícil de calcular. A consultoria Kearney e a empresa antipirataria Muso estimam que a pirataria custe à indústria cerca de US$ 75 bilhões por ano. A projeção é que esse valor chegue a US$ 125 bilhões até 2028, segundo os dados citados pela publicação.

Para Jonathan Eirich, co-CEO da Rideback e produtor de filmes como “Lilo & Stitch” e “Aladdin”, existe uma dificuldade adicional: determinar quanto cada lançamento deixa de arrecadar por causa das cópias ilegais.

“Pode ser US$ 5 milhões, US$ 20 milhões ou US$ 50 milhões”, afirmou Eirich. O produtor também explicou que muitos profissionais só recebem participação nos lucros depois que o estúdio recupera os custos de produção.

A Motion Picture Association concentra parte de seus esforços nas grandes redes responsáveis por distribuir esse conteúdo. Larissa Knapp, diretora de proteção de conteúdo da entidade, disse à Variety que a estratégia envolve desenvolver casos contra os maiores grupos de pirataria e tentar impedir que eles simplesmente se reorganizem depois de serem desmantelados.

As próprias tecnologias usadas pelos consumidores também criam novos riscos. Além das gravações feitas dentro das salas de cinema, dispositivos como óculos equipados com câmeras podem facilitar novas formas de captura de conteúdo.

Ao mesmo tempo, Hollywood enfrenta uma contradição difícil de ignorar. As redes sociais ajudam a transformar reações do público em divulgação espontânea, mas também permitem que conteúdos protegidos sejam compartilhados em uma escala muito maior.

O resultado é um cenário em que a disputa contra a pirataria começa praticamente junto com o lançamento. Para os estúdios, impedir que uma cópia ilegal se espalhe rapidamente passou a ser parte da batalha para proteger justamente os primeiros dias de bilheteria.

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