A recriação digital de Val Kilmer por Inteligência Artificial no filme “As Deep as the Grave” contou com a participação direta de sua filha, Mercedes Kilmer, que passou a defender publicamente o uso da tecnologia após se envolver no projeto. Segundo informações divulgadas pela Variety, a utilização da imagem do ator foi autorizada por seus herdeiros, com colaboração ativa da família durante o processo.
O longa independente utiliza recursos de IA generativa para reconstruir a aparência e a presença de Val Kilmer em cena. O ator, que morreu em 2025 após complicações de um câncer de garganta, havia sido escalado originalmente para o projeto, mas não conseguiu filmar devido ao agravamento de seu estado de saúde. A decisão de seguir com a recriação digital ocorreu posteriormente, com apoio familiar e participação direta de Mercedes Kilmer.
Durante participação no programa “Today Show”, Mercedes Kilmer comentou as reações ao uso da tecnologia e explicou que o processo começou como uma tentativa de contornar as limitações impostas pela doença do pai. Segundo ela, a iniciativa evoluiu ao longo do tempo, acompanhando a percepção do próprio ator sobre o potencial da tecnologia dentro da indústria.
Ela também reconheceu a divisão de opiniões sobre o uso de inteligência artificial, especialmente entre profissionais em diferentes estágios de carreira. Mercedes destacou que há preocupação legítima de parte do setor, enquanto outros enxergam possibilidades na utilização da tecnologia, refletindo um debate ainda em desenvolvimento.
Mercedes acrescentou que recebeu respostas positivas de profissionais mais experientes, que veem a ferramenta como um possível meio de proteger direitos autorais. Segundo ela, lidar com a tecnologia de forma proativa, incluindo o licenciamento de imagem, pode facilitar a organização desses direitos dentro da indústria.
O diretor e roteirista Coerte Voorhees afirmou anteriormente que o papel foi concebido especificamente para Val Kilmer e que o ator demonstrava interesse em participar do projeto. De acordo com o cineasta, o apoio da família foi determinante para a continuidade da produção após a impossibilidade de filmagem.
Voorhees também destacou que os familiares reforçaram o interesse do ator em estar associado à obra, o que contribuiu para a decisão de seguir com a recriação digital. A escolha foi baseada nesse alinhamento entre equipe criativa e representantes do ator.
Antes disso, Val Kilmer já havia utilizado recursos digitais para reconstrução de sua voz em “Top Gun: Maverick” (2022), em colaboração com a empresa Sonantic. No novo projeto, a aplicação da tecnologia avança para uma recriação visual completa do ator em cena, com participação direta da família no processo.



