A disputa pela fusão entre Paramount e Warner Bros. Discovery ganhou uma nova pressão dentro de Hollywood. A Directors Guild of America (DGA) e a IATSE, dois dos principais sindicatos da indústria, pediram ao procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, e ao CEO da Paramount Skydance, David Ellison, que negociem um acordo para encerrar o processo que ameaça o negócio.
O motivo da pressão é o tempo. Os sindicatos afirmam que a indefinição em torno da fusão já prejudica uma indústria que enfrenta dificuldades para manter produções e empregos. Em carta enviada na quarta-feira (12), as entidades disseram ter conhecimento de projetos que foram colocados em espera ou cancelados durante o período de incerteza.
A DGA e a IATSE não estão simplesmente pedindo que a ação seja retirada. A proposta é chegar a um acordo com compromissos capazes de reduzir as preocupações sobre concorrência e, ao mesmo tempo, dar mais previsibilidade para o mercado audiovisual.
O que os sindicatos querem da Paramount
Entre as condições defendidas está a manutenção da Paramount e da Warner Bros. como estúdios separados, mesmo sob uma mesma companhia. As entidades também apoiam o compromisso de lançar pelo menos 30 filmes por ano nos cinemas, com cada estúdio respondendo por pelo menos 15 produções.
Outro ponto envolve a permanência dos filmes em cartaz. A proposta inclui uma janela teatral mínima de 45 dias, além de compromissos relacionados à produção nos Estados Unidos. A ideia, segundo os sindicatos, é preservar um mercado competitivo e evitar que a fusão reduza as oportunidades de trabalho e produção.
As condições são importantes porque o processo antitruste questiona justamente os efeitos que a união das duas empresas poderia provocar na concorrência. Em termos simples, o caso tenta determinar se uma companhia controlando os dois estúdios concentraria poder demais sobre a produção e distribuição de filmes e televisão.
Por que a demora preocupa Hollywood
O julgamento está marcado para 2 de março de 2027. Para a DGA e a IATSE, esperar até lá prolongaria uma situação que já afeta decisões de produção e contratação. Por isso, caso um acordo não seja alcançado, os sindicatos também defendem que o processo seja antecipado.
A posição coloca as duas entidades em um lado diferente do Writers Guild of America (WGA), que entrou com sua própria ação para tentar impedir a fusão. A divisão mostra que os sindicatos de Hollywood não têm uma posição única sobre o negócio.
Para a DGA e a IATSE, compromissos concretos podem oferecer uma proteção mais imediata aos trabalhadores do que manter a disputa judicial por mais meses. As entidades afirmam que seu objetivo é preservar um mercado competitivo sem prolongar a incerteza que já afeta a produção.
Bonta e Paramount ainda estão distantes
David Ellison vem pressionando por uma solução negociada, enquanto Bonta continua defendendo uma abordagem mais rígida para o processo. O procurador-geral da Califórnia tem rejeitado soluções que dependam apenas de compromissos comportamentais da empresa e busca garantias capazes de enfrentar as preocupações concorrenciais.
A carta da DGA e da IATSE surge justamente nesse ponto de tensão. Os sindicatos querem que Bonta e Ellison sentem à mesa para tentar construir uma solução antes que a disputa avance até o julgamento.
Enquanto isso, a fusão continua sem definição. Para os trabalhadores representados pelas duas entidades, porém, o problema já ultrapassou a discussão sobre quem ficará com o controle da Warner Bros. Discovery. A preocupação agora é quanto tempo Hollywood ainda terá de conviver com a incerteza e quais produções podem ser afetadas até que o futuro do negócio seja decidido.




