Rádio Eldorado encerra transmissões em FM no dia 15 de maio

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Foto: Eldorado

A Rádio Eldorado interromperá suas operações na frequência 107,3 FM a partir de 15 de maio de 2026. O encerramento das transmissões ocorre após o fim da parceria entre o Grupo Estado, proprietário do jornal O Estado de S. Paulo, e a Fundação Brasil 2000. Segundo o comunicado oficial da empresa, a medida reflete mudanças estruturais no comportamento do público, que tem priorizado plataformas de streaming e consumo de áudio sob demanda em detrimento do rádio linear tradicional.

O movimento faz parte de um reposicionamento estratégico do Estadão, que busca fortalecer sua presença em canais digitais e produções multiplataforma. No final de 2025, a companhia adquiriu a NZN, incorporando marcas como TecMundo e Minha Série, e transformou sua sede em Higienópolis no hub de criação “Blue House”. Este espaço é dedicado ao desenvolvimento de videocasts e outros formatos audiovisuais, servindo como base para a nova fase da empresa.

A marca Eldorado não será extinta com o fim da radiodifusão. Programas icônicos, como o “Som a Pino” e o “Clube do Livro”, serão adaptados para formatos digitais com foco em vídeo. A empresa também informou que estuda o reaproveitamento de profissionais da emissora em outras áreas do grupo. Abaixo, a nota oficial divulgada pelo veículo detalha os motivos da transição e o impacto das novas tecnologias no setor.

Leia a nota na íntegra: 

“A Rádio Eldorado ocupa, há décadas, um lugar singular na vida cultural de São Paulo. Referência em curadoria musical, jornalismo e programação de qualidade, tornou-se um patrimônio afetivo e intelectual de gerações de ouvintes, contribuindo de forma decisiva para a formação de repertório, a difusão de artistas e o fortalecimento da cena cultural da cidade. Nos últimos anos, sobretudo após a pandemia, entretanto, observamos mudanças profundas nos hábitos de consumo de áudio.

O crescimento acelerado das plataformas de streaming musical e a transformação no uso dos meios lineares têm impactado de forma estrutural o papel das rádios FM tradicionais. Atento a essas tendências, o Estadão vem revendo sua estratégia no segmento de áudio. Em função do término da parceria com a Fundação Brasil 2000, detentora da frequência 107,3 FM, a operação de radiodifusão da Eldorado será encerrada no próximo dia 15 de maio. Essa decisão se insere em um movimento mais amplo de reposicionamento estratégico do Estadão, que vem ampliando de forma consistente sua presença digital.

Nos últimos dois anos, a companhia intensificou sua produção audiovisual, por exemplo, com a contratação de 14 colunistas com atuação multiplataforma, responsáveis por conteúdos em texto e vídeo. Esse esforço permitiu expandir de maneira significativa a presença do Estadão em suas plataformas próprias — site e aplicativo —, bem como em redes sociais e canais de vídeo. A aquisição da NZN, em outubro de 2025, reforçou essa trajetória. Os ativos digitais do TecMundo ampliaram a capacidade de distribuição e produção audiovisual, enquanto a sede da empresa foi convertida em um hub de criação na região de Higienópolis — a “Blue House” — dedicado ao desenvolvimento de novos formatos e linguagens.

O encerramento da operação de radiodifusão da Eldorado não representa o fim de sua marca. A Eldorado seguirá presente em projetos especiais e eventos, preservando seu papel como referência cultural. Alguns de seus principais programas, incluindo iniciativas como Som a Pino e Clube do Livro, serão redesenhados e adaptados para novos formatos, com ênfase em vídeo e distribuição digital. Esta transição permitirá ao Estadão oferecer aos seus parceiros comerciais formatos mais segmentados, mensuráveis e aderentes aos novos hábitos de consumo de conteúdo. O Estadão expressa seu profundo reconhecimento a todos os profissionais que construíram a história da Rádio Eldorado, bem como aos ouvintes que, ao longo dos anos, fizeram dela um espaço de encontro, descoberta e valorização da música de qualidade.”

Erick Brêtas, CEO do Estadão, afirmou que a integração da estrutura da NZN amplia as oportunidades de negócio de longo prazo. O executivo destacou que a aquisição prepara a companhia para os novos padrões de consumo. Thiago Cruz, representante da NZN, reiterou que a união entre os grupos oferece uma plataforma de expansão para as equipes e marcas envolvidas no projeto audiovisual.

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