Ted Sarandos acusa Paramount de criar falsa narrativa regulatória sobre Warner

Ted Sarandos discursa em um evento corporativo sobre o mercado de streaming e mídia.
Foto: Reprodução/BBC

O co-CEO da Netflix Ted Sarandos afirmou que a Paramount criou uma narrativa exagerada sobre desafios regulatórios inexistentes. A declaração surgiu durante entrevista ao portal Politico sobre o leilão da Warner Bros. Discovery (WBD). A Paramount encerrou a disputa pagando 31 dólares por ação totalizando um investimento de 111 bilhões de dólares. Sarandos defendeu que a proposta inicial da Netflix de 27,75 dólares por ação era uma transação puramente vertical. O executivo argumentou que não existiam ativos duplicados que pudessem bloquear o acordo no Departamento de Justiça americano. Para ele a estratégia da concorrente foi eficaz em gerar um temor burocrático sem fundamentos históricos sólidos.

A dinâmica política também complicou as negociações após comentários de Susan Rice membro do conselho da gigante do streaming. Rice sugeriu que empresas seriam responsabilizadas caso agissem por interesses próprios para ganhar apoio do governo Donald Trump. Sarandos minimizou o impacto dessas falas nos resultados finais do processo de aquisição da Warner. Ele reiterou que a Netflix sempre viu a movimentação como uma transação comercial regida por processos técnicos claros. De acordo com o site Deadline a confiança na aprovação regulatória era alta devido à natureza complementar das duas companhias. O executivo destacou que o feedback inicial dos órgãos competentes indicava compreensão sobre a concentração de mercado.

Sarandos aproveitou a viagem a Bruxelas para destacar o peso da Netflix na economia audiovisual da Europa. A empresa investiu mais de 13 bilhões de dólares em conteúdo no continente durante a última década de operação. Esse aporte gerou cerca de 100 mil empregos e parcerias com mais de 600 produtores independentes europeus. Entre as apostas futuras estão a terceira temporada de A Imperatriz e a nova série noir Detective Hole. O co-CEO reforçou que o compromisso com a produção local é um diferencial estratégico único no cenário global. Ele busca esclarecer a percepção da indústria europeia sobre o papel do streaming no financiamento de filmes.

O executivo também alertou que legisladores e empresas tradicionais subestimam o YouTube como um concorrente direto da televisão. Sarandos classificou o mercado de televisores conectados como um jogo de soma zero onde o espectador faz escolhas excludentes. Ele afirmou que o YouTube compete exatamente pelo mesmo tempo de tela que canais como a RTL ou a Netflix. A monetização via assinaturas ou publicidade define o cenário competitivo atual em que o conteúdo gratuito exerce pressão constante. O quase acordo com a Warner Bros. evidenciou esse mal-entendido profundo sobre a dinâmica das plataformas digitais. O foco agora reside em proteger e expandir as produções originais frente aos novos desafios regulatórios globais.

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