A produtora brasileira Clube Filmes é a responsável pela produção de “Casa do Kwai”, primeiro reality de confinamento desenvolvido para o aplicativo de vídeos curtos Kwai. O projeto foi apresentado oficialmente nesta quarta-feira (29) e tem estreia marcada para 5 de maio no perfil da plataforma no Brasil, com formato pensado exclusivamente para consumo em dispositivos móveis.
O reality aposta em episódios verticais e dinâmica acelerada, alinhados ao padrão de consumo de conteúdo em redes sociais. O elenco reúne ex-participantes do Big Brother Brasil e influenciadores digitais que já produzem conteúdo diretamente no Kwai, reforçando a estratégia de integração entre creators e audiência nativa da plataforma.
Diferente dos formatos tradicionais do gênero, “Casa do Kwai” não contará com eliminações. A disputa será baseada em um sistema de pontuação acumulada, definido por desempenho em provas e desafios ao longo da convivência. A competição se desenvolve também a partir de estratégias internas e interações entre os participantes dentro da casa.
A final do programa está prevista para 2 de junho e terá transmissão ao vivo, encerrando o ciclo de atividades da temporada com a definição do vencedor.
Em entrevista à TELA VIVA, o sócio e diretor da Clube Filmes, Fabrício Bittar, explicou que a parceria com o Kwai surgiu a partir de conversas já existentes no campo de branded content e produção publicitária. Segundo ele, o projeto foi desenvolvido a partir de uma proposta de reality vertical com foco em linguagem próxima do conteúdo já produzido nas redes sociais.
“Temos feito cada vez mais coisas que se parecem muito com produção de conteúdo. As pessoas já entendem que temos essa experiência. Já produzimos muito conteúdo grande, as marcas e canais procuram a gente. Temos uma parceria grande com o SBT, por exemplo. O Kwai veio até nós com um pedido de uma proposta de conceito para um reality de confinamento na vertical. A gente criou essa ideia, de ser um reality mais pautado na realidade mesmo, com episódios que se assemelham ao que as pessoas já produzem e consomem nas redes, e eles gostaram muito, então nos juntamos para produzir”, afirmou.
Bittar também destacou os desafios técnicos e criativos do formato vertical, ainda em fase de consolidação no mercado audiovisual. Ele aponta que o modelo exige adaptação por não haver referências consolidadas em realities desse tipo, o que transforma o projeto em um processo experimental.
“Mas precisamos fazer, não tem jeito. Esse formato está em alta, estamos vendo o boom das novelas verticais, por exemplo. É um desafio, claro, principalmente na hora da aprovação, porque não tem para onde olhar, quer dizer, não tem como olhar para o lado e ver como os outros estão fazendo, porque ainda não tem um reality desse jeito. Estamos experimentando, e queremos muito entender a percepção do público”, disse.
O produtor também relaciona o formato à mudança de comportamento de consumo, destacando o crescimento da produção e da visualização de vídeos verticais no cotidiano digital. Para ele, o reality acompanha uma adaptação já naturalizada pelos usuários nas redes sociais.
“O que tem de mais interessante nisso é que estamos assistindo mais a nossa vida na vertical. Eu, como cineasta, tinha antes uma resistência. Mas o meu feed, as coisas que eu gravo, são todas na vertical. Ainda tenho um pouco de resistência para ficção na vertical, mas estamos nos adaptando a algo que já fazemos na nossa vida. Acho que esse reality tem muito disso: é feito na vertical, em fragmentos, então ele combina muito com o jeito com que estamos assistindo aos conteúdos hoje em dia”, analisou.
Segundo Bittar, a expectativa também envolve a forma como o público irá interagir com o conteúdo, especialmente na criação de cortes e conteúdos derivados. A produção aposta na circulação orgânica de trechos do reality nas redes como parte central da estratégia de engajamento.
“Estou ansioso para ver os cortes e quais conteúdos as pessoas vão gerar a partir do nosso reality. Essa parte é muito divertida. Não tem como fugir desse poder que o público tem de transformar o que você cria, e eu acho que isso é muito interessante. Temos que usar a nosso favor”, completou.



