A Casa do Dragão: final da 3ª temporada muda Rhaenyra e prepara uma 4ª temporada ainda maior

A Casa do Dragão mostra Rhaenyra Targaryen após os acontecimentos da 3ª temporada.
Foto: HBO

ALERTA DE SPOILER: Este texto contém spoilers do episódio final da 3ª temporada de “A Casa do Dragão”.

O final da 3ª temporada de “A Casa do Dragão” leva a Dança dos Dragões a um novo estágio. A batalha de Tumbleton deixa um rastro de mortes entre Negros e Verdes, enquanto Rhaenyra Targaryen se distancia cada vez mais da imagem da rainha que tentava conquistar o Trono de Ferro sem perder completamente seus princípios.

Ao mesmo tempo, a série prepara o terreno para sua temporada final ao colocar personagens importantes em posições decisivas e deixar destinos em aberto. A mudança de Rhaenyra, a morte de Helaena e a batalha entre os exércitos de Targaryen e Hightower são alguns dos acontecimentos que definem o encerramento da temporada.

Rhaenyra cruza uma nova linha no final da temporada

O principal movimento do episódio final acontece em Porto Real. Cada vez mais pressionada pela guerra, Rhaenyra toma decisões que mostram como o poder começa a transformar sua relação com aqueles ao seu redor.

Ela ordena que Daemon ataque Tumbleton e elimine o maior número possível de Hightowers. A orientação é preservar a população da cidade, mas a ofensiva rapidamente se transforma em uma batalha de grandes proporções.

Rhaenyra também expulsa Mysaria da Fortaleza Vermelha e mantém Helaena sob vigilância. Quando o Alto Septão se recusa a reconhecê-la como rainha, ela ordena sua execução.

A sequência deixa claro que Rhaenyra não está mais apenas tentando reivindicar aquilo que considera seu por direito. Ela começa a usar o poder de maneira cada vez mais autoritária para garantir sua posição.

O discurso de Rhaenyra aproxima a personagem de Daenerys

Um dos momentos mais importantes do episódio acontece quando Rhaenyra deixa a Fortaleza Vermelha e fala diretamente ao povo de Porto Real.

Ela revela a profecia que Viserys havia confiado a ela: a visão de Aegon, o Conquistador, sobre uma ameaça futura que somente os Targaryen e seus dragões poderiam enfrentar. Rhaenyra então se apresenta como a figura destinada a conduzir o reino diante dessa ameaça.

A cena cria uma conexão direta com “Game of Thrones” e com a importância que a profecia teria para Daenerys Targaryen. Mais do que uma referência ao passado da franquia, porém, o momento serve para mostrar a mudança da própria Rhaenyra.

Em entrevista à Variety, o criador Ryan Condal explicou que a série pretende trabalhar com ecos entre “A Casa do Dragão” e “Game of Thrones”, especialmente na maneira como o poder interfere na personalidade de quem ocupa ou busca o Trono de Ferro.

A diferença, segundo Condal, está justamente no caminho percorrido pelas duas personagens. Daenerys chega ao trono somente no final de sua trajetória, enquanto Rhaenyra experimenta o poder, tenta mantê-lo e é transformada por essa experiência.

Por isso, o episódio não precisa apresentar Rhaenyra como uma repetição de Daenerys. O paralelo funciona melhor como um alerta sobre o que o poder pode fazer com alguém que acredita estar agindo em nome de uma causa justa.

A batalha de Tumbleton muda o equilíbrio da guerra

Enquanto Rhaenyra consolida sua posição em Porto Real, Daemon lidera o ataque a Tumbleton. A cidade se tornou um ponto estratégico porque Ormund Hightower conseguiu preparar suas defesas e reduzir parte da vantagem que os Negros possuíam com seus dragões.

Ormund posiciona crianças nas muralhas e diante dos portões, dificultando o ataque. Daemon adia o cerco até que a situação se torna insustentável e usa Caraxes para abrir caminho para as tropas.

A batalha, porém, não termina como Rhaenyra esperava. Ulf, montado em Asa de Prata, trai os aliados e transforma o confronto em um massacre. Ormund também acaba morto quando o dragão de Ulf o atinge com fogo depois de Roddy, o Ruin, feri-lo.

Roddy também morre, enquanto Daemon, Corlys e Hugh conseguem escapar. Ulf termina o episódio sendo perseguido por Daemon e Hugh, deixando a disputa entre os cavaleiros de dragão ainda sem uma conclusão.

O destino de Daeron e de seu dragão, Tessarion, também permanece em aberto após o incêndio que destrói Tumbleton.

Por que a morte de Ormund é importante?

A morte de Ormund encerra uma das principais trajetórias construídas pela temporada. O personagem chegou à guerra como uma das figuras mais importantes do lado Hightower e passou a desempenhar um papel central na ascensão de Daeron.

O desfecho também possui uma ironia evidente. Ormund foi morto em meio ao caos provocado por Ulf, justamente um personagem que havia sido desprezado por integrantes da elite Targaryen.

James Norton, que interpreta Ormund, comentou à Variety que a morte foi planejada para ser grandiosa e exagerada, embora versões anteriores da sequência fossem ainda mais violentas.

Mais importante para a história, porém, é a relação entre Ormund e Daeron. O episódio mostra Ormund nomeando o jovem cavaleiro pouco antes da traição, mas os dois nunca têm a oportunidade de confrontar diretamente o que aconteceu.

Segundo Norton, Ormund provavelmente teria se orgulhado da iniciativa de Daeron, mesmo que inicialmente reagisse com violência. A relação entre os dois funcionava como uma das poucas formas de revelar uma dimensão mais humana do personagem.

Helaena morre e deixa um novo mistério

Outro acontecimento decisivo ocorre quando Helaena Targaryen se joga para a morte em Porto Real.

A personagem estava grávida e permanecia sob o controle de Rhaenyra. Sua morte altera ainda mais o equilíbrio emocional da história e cria uma consequência que deverá atingir diretamente a relação entre Rhaenyra e Alicent.

Ao descobrir o que aconteceu, Rhaenyra encontra no quarto de Helaena uma tapeçaria que antecipa um destino sombrio e marcado pelo fogo. A imagem funciona como mais um sinal de que a trajetória da rainha está caminhando para um desfecho cada vez mais trágico.

O episódio também deixa uma questão importante para o futuro: quem será responsabilizado pela morte de Helaena e como Alicent reagirá quando souber de tudo o que aconteceu?

O que o final prepara para a 4ª temporada?

A temporada termina com os dois lados da guerra profundamente enfraquecidos, mas nenhum deles disposto a abandonar a disputa.

Rhaenyra conseguiu reforçar sua posição, mas também passou a enfrentar uma transformação que pode afastá-la do próprio povo. Daemon continua envolvido diretamente na guerra, enquanto Tumbleton deixa novos conflitos entre os cavaleiros de dragão.

Do outro lado, o destino de Daeron permanece desconhecido e Aegon ainda representa uma ameaça ao domínio de Rhaenyra. A morte de Helaena também deve provocar novas consequências para os Hightowers.

Ryan Condal afirmou que a equipe já definiu a estrutura geral da temporada final e que o primeiro episódio já foi apresentado à HBO. A 4ª temporada ainda não possui uma data de estreia anunciada, mas o produtor antecipou que ela será ainda maior do que a terceira.

O encerramento da 3ª temporada, portanto, não funciona apenas como mais uma etapa da Dança dos Dragões. Ele estabelece a transformação de Rhaenyra como um dos principais elementos para o desfecho da série e coloca a personagem diante da mesma questão que atravessa o universo de “Game of Thrones”: até onde alguém está disposto a ir para conquistar ou preservar o poder?

É essa mudança que torna o final particularmente importante. Rhaenyra começou a guerra acreditando que estava lutando pelo trono que lhe pertencia. Agora, depois de tantas mortes e decisões cada vez mais extremas, a própria guerra começa a alterar quem ela é.

Recomendado para você

Leia Também

Leitura obrigatória

Zack Snyder dirige "The Last Photograph", novo suspense com estreia no Festival de Toronto.

Zack Snyder volta ao cinema com suspense ambientado na América do Sul

Zack Snyder retorna ao cinema com “The Last Photograph”, suspense ambientado na América do Sul que terá estreia mundial no Festival de Toronto.