As produções da HBO Max consolidaram ao longo dos anos uma identidade voltada a narrativas adultas em que sexo, desejo e relações de poder aparecem como elementos estruturais do drama, e não como adorno. Nesse conjunto, algumas séries se destacam por tratar a intimidade como extensão direta de conflitos sociais, profissionais ou emocionais.
Industry
Em “Industry”, esse deslocamento entre vida pessoal e disputa profissional é central. A série acompanha jovens em início de carreira no competitivo mercado financeiro londrino, onde decisões corporativas e relações interpessoais se misturam de forma constante. O ambiente de trabalho funciona como gatilho para jogos de sedução, manipulação e sobrevivência, enquanto personagens como Harper e Yasmin lidam com pressão extrema em múltiplos níveis, inclusive na forma como se relacionam uns com os outros fora do escritório.
Euphoria
Já “Euphoria”, criada por Sam Levinson, explora um grupo de adolescentes atravessado por experiências de vulnerabilidade emocional, consumo de substâncias e relações afetivas instáveis. A narrativa acompanha Rue, Jules, Cassie e outros personagens em um cotidiano marcado por excessos e incertezas, em que a dimensão sexual aparece frequentemente associada a risco, identidade e desequilíbrio emocional, sustentada por uma abordagem visual estilizada e fragmentada.
A Vida Sexual das Universitárias
Em registro mais leve, “A Vida Sexual das Universitárias” acompanha quatro estudantes em uma universidade nos Estados Unidos lidando com a transição para a vida adulta. A série combina humor com situações de descoberta pessoal, incluindo relacionamentos casuais, mudanças de orientação sexual e conflitos de classe. O foco está menos na provocação e mais na construção de identidades em um ambiente de convivência intensa e instável.
Merteuil: Jogos de Sedução
“Merteuil: Jogos de Sedução” revisita a base de “Ligações Perigosas” a partir de uma protagonista que articula estratégias de ascensão social e vingança em meio à elite parisiense. A trama utiliza o desejo como ferramenta de negociação política e econômica, em um contexto em que relações íntimas são atravessadas por interesses e disputas de poder. O resultado é uma narrativa de manipulação contínua, em que a intimidade funciona como extensão da estratégia.
Hung
Entre as produções mais antigas do catálogo, “Hung” adota um tom mais direto ao acompanhar um homem que, após dificuldades financeiras, passa a trabalhar como acompanhante. A série observa a crise de meia-idade do protagonista em paralelo às suas tentativas de reorganizar a própria vida, tratando o tema com uma abordagem mais cômica do que dramática, sem recorrer a um tom moralizante.
No conjunto, essas cinco séries evidenciam como a HBO Max construiu um repertório em que relações sexuais e afetivas não aparecem isoladas, mas integradas a estruturas maiores de conflito. Seja no ambiente corporativo, na juventude em formação ou em contextos de ambição social, a intimidade surge como parte de dinâmicas mais amplas de poder, identidade e sobrevivência narrativa.




