Crítica: Águas Mortais mistura desastre aéreo e tubarões em filme irregular

Águas Mortais apresenta sobreviventes de um acidente aéreo cercados por tubarões no oceano.
Foto: Diamond Films

Filmes de tubarão ocupam um espaço singular na cultura pop desde o impacto definitivo de Tubarão (1975). O subgênero evoluiu por diferentes caminhos, alternando entre o suspense claustrofóbico de Águas Rasas (2016) e o exagero escrachado de produções como Megatubarão (2018) e a franquia Sharknado (2013). É exatamente nesse território do absurdo que Águas Mortais tenta navegar, misturando um desastre aéreo em alto-mar ao cerco implacável de predadores marinhos, com distribuição nacional da Diamond Films.

Sob a direção de Renny Harlin — cineasta tarimbado em clássicos de ação dos anos 1990 como Duro de Matar 2 e que já comandou o clássico trash Do Fundo do Mar (1999) —, o longa acerta plenamente na construção da sequência inicial. A queda do avião no Oceano Pacífico é conduzida com montagem ágil, excelente noção espacial e tensão sufocante. Aaron Eckhart (Batman: O Cavaleiro das Trevas), na pele do copiloto que assume a liderança dos sobreviventes, e o ator oscarizado Ben Kingsley dão o peso dramático necessário para ancorar o início da projeção.

O desequilíbrio entre o absurdo assumido e o melodrama

O grande tropeço da produção surge quando o roteiro decide abandonar a consciência do próprio exagero para apostar em um melodrama convencional. Enquanto o filme assume sua natureza de entretenimento descompromissado — marcando inclusive a estreia de Gene Simmons, baixista e fundador da banda KISS, como produtor em Hollywood —, as cenas cedem espaço a conflitos previsíveis, diálogos rasos e uma seriedade excessiva que enfraquece o ritmo do segundo ato.

Confira os principais pontos da avaliação da obra:

  • Ponto alto: A sequência do acidente aéreo, considerada uma das melhores e mais tensas do gênero nos últimos anos;
  • Curiosidade de bastidores: Marca a estreia oficial de Gene Simmons (KISS) como produtor cinematográfico;
  • Ponto fraco: A transição para um drama sério demais, que desacelera a narrativa e diminui a força da ameaça dos tubarões;
  • Veredito: Uma experiência irregular, mas que ainda se posiciona acima da média de produções similares voltadas para o streaming.

Mesmo pecando pelo excesso de sentimentalismo em uma premissa que pedia apenas diversão descerebrada, Águas Mortais funciona como um passatempo honesto para os entusiastas de filmes de sobrevivência.

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