Crítica: O Diabo Veste Prada 2 falha em repetir impacto e entrega sequência irregular

Meryl Streep como Miranda Priestly em O Diabo Veste Prada 2 em ambiente corporativo da revista Runway
Foto: 20th Century Studios

O Diabo Veste Prada 2” chega aos cinemas com a proposta de revisitar um dos títulos mais marcantes da cultura pop dos anos 2000, mas o resultado aponta para uma sequência funcional e irregular, distante do impacto do original. Mesmo com o retorno do elenco principal e da equipe criativa, o filme se apoia mais na repetição de fórmulas conhecidas do que em uma evolução narrativa consistente.

A trama reposiciona Andy em meio a uma crise no setor de mídia, inserindo a personagem em um ambiente marcado por cortes, reestruturações e perda de relevância editorial. O contexto sugere uma atualização temática, mas o roteiro raramente aprofunda essas questões, utilizando esse cenário mais como pano de fundo do que como eixo central do desenvolvimento dramático.

O reencontro entre Andy e Miranda retoma a dinâmica profissional que definiu o primeiro filme, preservando a essência do confronto entre as duas. Ainda assim, a progressão narrativa é mais limitada, com repetição de situações e ritmos já conhecidos, o que reduz o senso de novidade e torna parte da experiência previsível.

Meryl Streep permanece como o principal elemento de sustentação do filme. Sua interpretação de Miranda Priestly segue precisa e controlada, com presença dominante em cena mesmo quando o roteiro oferece menos espaço. Gestos contidos, pausas e variações sutis de tom continuam sendo suficientes para estabelecer autoridade na personagem.

O restante do elenco assume funções semelhantes às do original dentro da estrutura narrativa. Anne Hathaway apresenta uma versão mais segura de Andy, o que altera a dinâmica da personagem e diminui parte da vulnerabilidade vista anteriormente. Emily Blunt e Stanley Tucci retornam em papéis familiares, enquanto as novas adições têm participação mais limitada no desenvolvimento da história.

No aspecto visual, o filme apresenta mudanças perceptíveis em relação ao original, especialmente na iluminação e na forma de retratar o universo da moda. O figurino continua relevante, mas com menor impacto narrativo e visual em comparação ao primeiro longa.

No conjunto, “O Diabo Veste Prada 2” se sustenta pela familiaridade e pela força de seu elenco, mas demonstra dificuldade em justificar sua existência além do reconhecimento da marca. Há momentos que funcionam, sobretudo nos diálogos e nas interações, mas o filme raramente atinge o mesmo equilíbrio entre entretenimento e construção dramática que definiu o original.

“O Diabo Veste Prada 2” estreia nos cinemas em 30 de abril.

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