O Latam Content Meeting, realizado nesta quarta-feira, 15 de abril de 2026, em São Paulo, destacou a coprodução internacional como o motor essencial para a viabilização e expansão de projetos audiovisuais no mercado global. Durante o painel dedicado ao tema, especialistas enfatizaram que a colaboração entre diferentes nações não apenas garante o aporte financeiro necessário, mas também refina a narrativa para que histórias locais alcancem relevância universal. O encontro reuniu produtores do Brasil, Japão e Europa para discutir como a integração de culturas e modelos de negócios transforma desafios técnicos em potência criativa.
Um dos casos de sucesso apresentados foi o documentário “A Floresta Invisível”, dirigido por Rafa Calil, da Duo2. A obra, que acompanha a líder indígena Letícia Yawanawa na preservação de saberes ancestrais, ganhou escala ao unir forças com a ARTE, rede de televisão franco-germânica. Segundo Calil, em depoimento no evento, a parceria permitiu que uma temática regional fosse moldada para o interesse europeu, resultando em duas montagens distintas: um longa-metragem para o público brasileiro, focado em valores culturais, e uma versão com ritmo acelerado para a TV internacional, priorizando o aspecto das plantas medicinais como uma “farmácia global”.
O mercado asiático também marcou presença com Takahiro Hamano, da GV Tokyo, que reforçou o fascínio do público japonês pela biodiversidade sul-americana. Trabalhando atualmente na série “City Reformers”, que inclui São Paulo entre suas locações, Hamano ressaltou que temas como o futuro das metrópoles exigem esforços conjuntos entre países como Japão, China e Alemanha. Conforme reportado pelo produtor, a coprodução é a única via para acessar territórios complexos, como a Amazônia, e entregar conteúdos que respeitem as particularidades de consumo de cada região, mesmo que isso demande orçamentos duplicados para edições customizadas.
No campo das narrativas femininas e ambientais, Paula Taborda dos Guaranys, da Ginga Stories, detalhou o projeto “Fronteiras Líquidas”. O documentário sobre recursos hídricos é uma parceria entre o sul do Brasil e a Espanha, contando com 70% de financiamento nacional. Para Paula, a sintonia entre as partes é o fator determinante para o êxito de uma obra internacional. Contudo, o debate também expôs os gargalos do setor no Brasil. Calil pontuou que, apesar da disponibilidade de verbas, a burocracia estatal e a demora na liberação de recursos aprovados geram insegurança jurídica, contrastando com a previsibilidade de mercados mais estruturados na Europa e na Ásia.



