Raoni, A Voz da Floresta: documentário coloca povo Kayapó no controle da própria história

Cacique Raoni Metuktire em meio à floresta amazônica durante as gravações do documentário.
Foto: Instagram/midiaindigenaoficial

Raoni, A Voz da Floresta foi anunciado oficialmente durante o Latam Content Meeting, realizado em São Paulo. O documentário acompanha a trajetória do cacique Raoni Metuktire e sua atuação na defesa dos povos indígenas da Amazônia.

A produção reúne Grifa Filmes, Instituto Raoni e a organização ambiental Re:wild, além de parceiros como Appian Way e BNDES. Em fase final de produção, o projeto pretende adotar um modelo diferente de documentário social, colocando o povo Kayapó no controle da narrativa e dos direitos relacionados à obra.

Documentário coloca comunidade Kayapó no controle da narrativa

Uma das principais características de Raoni, A Voz da Floresta está justamente na participação da comunidade indígena na produção. A proposta estabelece que o protagonismo da história e os direitos relacionados ao documentário pertencem ao cacique Raoni Metuktire e ao povo Kayapó.

Segundo os responsáveis pelo projeto, o modelo busca romper com uma prática comum em documentários sobre povos indígenas, nos quais as comunidades retratadas acabam tendo pouca participação nas decisões sobre como suas próprias histórias chegam ao público.

Fundo de Legado do Cacique Raoni receberá recursos do filme

O projeto também prevê a criação do Fundo de Legado do Cacique Raoni. O mecanismo terá a função de direcionar parte dos recursos gerados pelo documentário para ações no território indígena.

De acordo com Rodrigo Medeiros, da Re:wild, para cada dólar investido no filme, três dólares serão destinados ao fundo. Os recursos deverão apoiar iniciativas relacionadas à preservação cultural e à qualidade de vida do povo Kayapó.

Projeto surgiu a partir de pedido de Raoni

O diretor Mauricio Dias afirmou que o documentário nasceu de uma solicitação do próprio cacique Raoni. O líder indígena estabeleceu algumas condições para participar da produção, entre elas o uso de sua língua e a criação de um conteúdo com finalidade educativa para as novas gerações.

Além do filme, a equipe pretende criar um acervo digital da comunidade. O material será entregue ao Instituto Raoni e deverá preservar registros relacionados à história e à memória do povo Kayapó.

Beptuk Metuktire, neto de Raoni e coprodutor do projeto, também destacou que a comunidade terá controle sobre a narrativa e sobre os direitos de imagem utilizados no documentário.

Raoni, A Voz da Floresta mira festivais internacionais

A conclusão do documentário está prevista para o fim de 2026. Enquanto isso, a equipe trabalha nas estratégias de distribuição e circulação da produção.

A produtora executiva Tatiana Battaglia explicou que a equipe decidiu inicialmente evitar acordos antecipados com exibidores. A medida busca preservar a autonomia criativa do projeto durante sua fase de finalização.

A estratégia inclui a participação em festivais internacionais e uma campanha voltada ao Oscar. Dessa forma, Raoni, A Voz da Floresta pretende alcançar o público internacional ao abordar a preservação ambiental, a cultura indígena e a defesa da Amazônia a partir da perspectiva da própria comunidade retratada.

O documentário também conta com coprodução da 26Films e patrocínio do Instituto Julio Simões.

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