Raoni, A Voz da Floresta foi anunciado oficialmente nesta quarta-feira, 15 de abril de 2026, durante o Latam Content Meeting, em São Paulo. O documentário reúne Grifa Filmes, Instituto Raoni e a organização ambiental Re:wild, com apoio de parceiros como Appian Way e BNDES. Em fase final de produção, o projeto propõe um modelo em que o protagonismo narrativo e os direitos da obra pertencem ao cacique Raoni Metuktire e à comunidade Kayapó.
A produção também criou o Fundo de Legado do Cacique Raoni, mecanismo que direciona recursos diretamente ao território indígena. Segundo Rodrigo Medeiros, da Re:wild, para cada dólar investido no filme, três são destinados ao fundo, voltado à preservação cultural e à qualidade de vida do povo Caiapó. A proposta busca inverter a lógica tradicional de documentários sociais, ampliando o impacto para além da tela.
O diretor Mauricio Dias afirmou que o projeto surgiu a partir de um pedido do próprio Raoni, que condicionou sua participação ao uso de sua língua e ao foco educativo para as novas gerações. A produção também prevê a criação de um acervo digital da comunidade, que será entregue ao Instituto Raoni. Beptuk Metuktire, neto do líder indígena e coprodutor, destacou que o povo terá controle total sobre a narrativa e os direitos de imagem.
Com conclusão prevista para o fim de 2026, a equipe busca acordos de distribuição alinhados à proposta do projeto. A produtora executiva Tatiana Battaglia explicou que a estratégia inicial evitou vínculos com exibidores para preservar a autonomia criativa. O plano inclui circulação em festivais internacionais e uma campanha voltada ao Oscar, posicionando Raoni como símbolo global da defesa da Amazônia. O filme conta ainda com coprodução da 26Films e patrocínio do Instituto Julio Simões.




