Damon Lindelof, reconhecido como o criador de sucessos como “Lost” e “The Leftovers”, manifestou publicamente seu repúdio à possível aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount-Skydance. Em um desabafo publicado em suas redes sociais nesta segunda-feira, o roteirista explicou os motivos que o levaram a integrar um movimento de resistência contra a transação de 110 bilhões de dólares. Lindelof argumenta que a unificação das gigantes do entretenimento resultará na transformação de estúdios históricos em uma “cidade fantasma”, prejudicando drasticamente o volume de produções e a oferta de trabalho em Hollywood.
O manifesto, que conta com a adesão de mais de mil profissionais da indústria, reúne nomes influentes como J.J. Abrams, Denis Villeneuve, David Fincher e os atores Kristen Stewart, Ben Stiller e Emma Thompson. O grupo expressa profunda apreensão com o que chamam de consolidação excessiva do mercado midiático, afirmando que a fusão privilegia lucros de acionistas em detrimento da diversidade cultural e da saúde econômica do setor. Conforme o documento divulgado, a redução da competitividade acarretará custos mais elevados para os espectadores e menos alternativas de conteúdo para o público global, inclusive no Brasil.
Em seu relato pessoal, Lindelof admitiu ter sentido receio de retaliações antes de assinar a carta aberta, mas enfatizou que o impacto sobre os trabalhadores operários — como eletricistas, motoristas, operadores de câmera e equipes de alimentação — é grave demais para ser ignorado. “Hollywood é uma cidade operária e todos eles estão prestes a ser prejudicados”, destacou o vencedor do Emmy, pontuando que fusões corporativas invariavelmente significam menos filmes e séries sendo produzidos. Ele reforçou que sua lealdade à Warner, que considera sua casa há quinze anos, foi determinante para sua tomada de posição.
A ofensiva liderada por David Ellison, CEO da Paramount-Skydance, busca finalizar a compra até o segundo semestre de 2026, mas enfrenta resistência de órgãos reguladores. Os signatários da carta declararam apoio a Rob Bonta, procurador-geral da Califórnia, e a outros magistrados que estudam medidas judiciais para barrar o negócio. O movimento busca preservar os empregos e garantir que a exportação cultural dos estúdios não sofra com o monopólio, protegendo o ecossistema de produção que sustenta milhares de famílias nos Estados Unidos.
Além de Lindelof, outras personalidades como Noah Wyle, Jason Bateman e Lin-Manuel Miranda também endossaram o protesto, intensificando a pressão política contra Ellison. Enquanto o cenário corporativo aguarda decisões regulatórias, a comunidade criativa se mantém em alerta sobre os riscos de uma retração que pode redefinir o futuro do entretenimento e das oportunidades de carreira para novos profissionais da área.



