O Espaço Augusta de Cinema e o Café Fellini, localizados no Centro de São Paulo, passaram por uma reintegração de posse na manhã da última quinta-feira (14). A ação resultou na retirada de móveis e equipamentos do local, incluindo cadeiras, mesas e outros itens utilizados no funcionamento do espaço cultural.
O imóvel foi adquirido em 2022 pela incorporadora Rec Vila 15 Empreendimentos Imobiliários. Após a operação, apenas as salas de cinema e parte da estrutura técnica, como projetores e poltronas, permaneceram preservadas. O local foi fechado e seguirá sem atividades até a definição judicial do caso.
Em comunicado, os responsáveis pelo Espaço Augusta informaram que estão adotando medidas legais para tentar reverter a decisão. O grupo afirma que o espaço integra uma área historicamente ligada à produção cultural e que seguirá acompanhando o processo na Justiça.
O terreno do antigo Cine Augusta, instalado em um casarão da década de 1930, foi vendido para a incorporadora com a intenção de construção de um empreendimento residencial. Após mobilização de frequentadores, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo (Conpresp) enquadrou o local como Zona Especial de Preservação Cultural (ZEPEC-APC), o que mantém a obrigatoriedade de uso cultural do espaço, mesmo em caso de reforma.
Na prática, a legislação permite a transformação do imóvel desde que sejam preservadas duas salas de cinema e um espaço destinado ao Café Fellini após a conclusão das obras. No momento, porém, a demolição ou qualquer intervenção mais ampla segue embargada por decisão judicial.
Em nota, o grupo responsável pelo cinema informou que as salas 1, 2 e 3 seguem funcionando normalmente na Rua Augusta, enquanto as salas 4 e 5 e o café foram fechados após a reintegração de posse. A empresa reforçou que continuará buscando medidas legais para reverter a situação e manter o funcionamento do espaço cultural.




