Comissária da FCC questiona capital estrangeiro na fusão Paramount–Warner Bros Discovery

Foto da fachada da Warner Bros com logotipo da Paramount ao lado, destacando a aquisição estratégica do estúdio
Foto: Reprodução

A comissária Anna Gomez, integrante do Partido Democrata na Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC), solicitou a abertura de uma investigação sobre a presença de capital estrangeiro na operação que envolve a possível fusão entre a Paramount Skydance e a Warner Bros. Discovery. O pedido surge em meio ao avanço da análise regulatória, que ainda depende de aprovação do órgão.

Em seu posicionamento, Gomez afirmou que o público norte-americano “merece saber quem é o dono das ondas de rádio que transmitem suas notícias”, levantando preocupações sobre a estrutura financeira da operação. Ela questiona a possibilidade de que parte relevante de uma das maiores empresas de mídia dos Estados Unidos fique sob influência indireta de governos estrangeiros, citando restrições históricas relacionadas à liberdade de imprensa.

Segundo informações apresentadas pela Paramount, a participação estrangeira na empresa combinada chegaria a 49,5%, sendo 38,5% oriundos de fundos de investimento da Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos. Pelas regras da FCC, participações acima de 25% em companhias do setor de comunicação exigem autorização prévia do órgão regulador, o que motivou a análise em andamento.

A empresa argumenta que os aportes internacionais têm caráter exclusivamente financeiro e não representam risco à segurança nacional ou à política externa dos Estados Unidos. De acordo com a estrutura proposta, a família Ellison manteria o controle acionário com maioria de votos, enquanto investidores estrangeiros não teriam assentos no conselho nem participação na gestão operacional.

Gomez também mencionou o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita, ligado ao príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, ao citar um relatório de inteligência dos Estados Unidos de 2021 que associou o príncipe à aprovação de uma operação relacionada ao assassinato do jornalista Jamal Khashoggi. O príncipe nega qualquer envolvimento direto no caso.

A comissária afirmou ainda que existem “questões sérias e não resolvidas” sobre o impacto potencial desse tipo de investimento estrangeiro na segurança nacional, defendendo que a FCC tem obrigação legal de avaliar o caso antes de qualquer aprovação. Ela classificou o cenário como um possível “desvio para amigos bilionários”, ao cobrar maior rigor regulatório.

O processo segue em fase de análise pública, com prazo para envio de comentários até 27 de maio e respostas previstas até 11 de junho. Gomez também defende maior transparência na divulgação dos acordos de investimento estrangeiro vinculados à operação.

O debate ocorre em paralelo a uma disputa mais ampla no setor de mídia envolvendo a Warner Bros. Discovery. Em diferentes momentos do processo, a Netflix teria avançado com uma proposta de aquisição estimada em US$ 83 bilhões em valor empresarial. Já a Paramount Skydance apresentou uma oferta superior a US$ 30 por ação, mas não prosseguiu após a Netflix optar por não igualar a proposta.

Caso a fusão entre Paramount e Warner Bros. Discovery avance, o novo conglomerado reuniria ativos de grande porte do entretenimento e da mídia global, incluindo canais e estúdios como CNN, CBS, MTV, Nickelodeon, Paramount+, HBO e Warner Bros., além de franquias como Harry Potter, DC Comics, Star Trek, Game of Thrones, O Senhor dos Anéis e Transformers.

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