A Warner Bros. anunciou oficialmente a criação da Clockwork, um novo braço de produção cinematográfica focado exclusivamente em projetos independentes e de orçamentos reduzidos. A revelação ocorreu durante a CinemaCon nesta terça-feira, em Las Vegas, onde o conglomerado detalhou que o objetivo do selo é rivalizar diretamente com produtoras consagradas no nicho autoral, como a A24 e a Neon. A estratégia da nova divisão prevê o lançamento de dois a três filmes anualmente, utilizando campanhas de marketing consideradas inovadoras para garantir o alcance global das produções nas salas de cinema.
O diretor Sean Baker, recentemente premiado por “Anora”, foi confirmado como o responsável por inaugurar o catálogo do estúdio com o longa-metragem intitulado “Ti Amo!”. Durante o painel de apresentação, o cineasta descreveu o novo trabalho como uma homenagem às comédias sensuais produzidas na Itália entre as décadas de 60 e 70. Embora detalhes sobre a trama ainda sejam mantidos em sigilo, a previsão é que a obra chegue aos cinemas em 2027. Baker assume não apenas a direção, mas o comando criativo total do projeto, que serve como o cartão de visitas para a identidade artística da Clockwork.
A gestão do novo estúdio ficará sob a responsabilidade de executivos experientes egressos da Neon, incluindo Christian Parkes, Jason Wald e Spener Collantes. A Clockwork já operava de forma interna antes do anúncio público e chegou a tentar a aquisição dos direitos de “The Invite” durante o Festival de Sundance, principal vitrine do cinema independente nos Estados Unidos. A iniciativa marca um reposicionamento da Warner Bros., que busca diversificar sua receita além dos grandes blockbusters e franquias de heróis, apostando na curadoria de talentos premiados em festivais internacionais.
A criação da Clockwork reflete uma mudança de mentalidade nos grandes estúdios de Hollywood, que agora buscam capturar o público jovem e cinéfilo que migrou para distribuidoras menores nos últimos anos. Com o suporte financeiro de uma gigante como a Warner, o novo selo terá recursos para competir em premiações e garantir janelas de exibição mais amplas para filmes de menor escala. Para o público brasileiro, a novidade sinaliza um potencial aumento na oferta de títulos autorais com distribuição garantida no país, fortalecendo o circuito de cinema de arte e as opções no segundo semestre de 2027.



