Adriana Araújo expôs detalhes inéditos sobre o encerramento de seu ciclo profissional na Record, classificando o período como uma experiência traumática. Em declarações recentes ao podcast Desculpa Alguma Coisa, vinculado ao portal UOL, a atual comandante do Jornal da Band revelou que o estopim para sua saída foi a discordância profunda com o tratamento dado pela emissora à crise sanitária de 2020. A jornalista relatou que o momento mais crítico ocorreu durante o colapso do sistema de saúde em Manaus, quando a direção do telejornal teria priorizado pautas de entretenimento leve, como o hábito alimentar de animais, em detrimento da gravidade das notícias locais.
A âncora descreveu o episódio como uma atitude criminosa por parte da antiga casa e confessou ter abandonado a bancada em lágrimas após a transmissão. Segundo Adriana Araújo, o posicionamento interno contra as diretrizes editoriais da rede de Edir Macedo gerou um desgaste irreversível, que culminou no fim de uma trajetória de 15 anos. Embora a comunicação oficial da emissora na época tenha citado um encerramento amigável, a profissional nega tal versão e atualmente mantém uma disputa jurídica contra a empresa na 63ª Vara do Trabalho de São Paulo, buscando o reconhecimento de direitos trabalhistas de sua época de contratação.
O embate nos tribunais, que corre sob sigilo, envolve pedidos de reconhecimento de vínculo empregatício pelo período em que atuou sob regime de Pessoa Jurídica, além de alegações de tratamento discriminatório nos bastidores. A Record, sediada no bairro da Barra Funda, refuta as acusações de injustiça feitas pela ex-colaboradora. Antes de migrar para o Grupo Bandeirantes em 2023, Adriana Araújo acumulou passagens de prestígio como correspondente em Nova York e liderou coberturas internacionais complexas, incluindo o desastre nuclear de Fukushima, no Japão, ocorrido em 2011.
Com uma carreira iniciada na TV Globo, a jornalista consolidou-se como um dos principais nomes do Jornal da Record por sete anos, além de ter liderado o Repórter Record Investigação. Atualmente, a profissional vive um novo momento em sua carreira no jornalismo diário da Band, onde encontrou espaço após o turbulento desligamento ocorrido em março de 2021. O desabafo repercutiu amplamente entre o público brasileiro, trazendo à tona discussões sobre ética jornalística e as pressões enfrentadas por profissionais de imprensa em momentos de crise institucional.



