Crítica: Euphoria decepciona em retorno com narrativa lenta e personagens estagnados

Cena de Zendaya como Rue vagando pelo deserto na estreia da terceira temporada de Euphoria.
Foto: Patrick Wymore / HBO

Euphoria, o drama visceral da HBO, estreou sua terceira temporada apresentando um salto temporal de quatro anos que transporta os protagonistas para os desafios da vida adulta, mas entrega uma narrativa que beira a estagnação. Disponível no Brasil pela plataforma Max, a nova fase da produção criada por Sam Levinson abandona o ambiente escolar para explorar as consequências do amadurecimento tardio. No entanto, conforme análise do Prazo Final, o início desta suposta temporada final sacrifica a agilidade característica da obra em favor de um ritmo excessivamente lento e repetitivo.

A trama reencontra Rue, interpretada por Zendaya, em uma jornada solitária por regiões desérticas próximas à fronteira mexicana, onde tenta transportar uma mochila de conteúdo misterioso rumo à Califórnia. Aos 22 anos, a protagonista permanece presa aos mesmos ciclos de vício e ansiedade que definiram sua adolescência, embora agora busque na espiritualidade uma tentativa desesperada de tração emocional. A atuação de Zendaya continua sendo o ponto mais forte da série, retratando com precisão a inércia de uma personagem que oscila entre a vontade de viver e a paralisia do vício.

Enquanto a protagonista luta por sobriedade, o restante do elenco principal enfrenta arcos que pouco evoluem. Nate, papel de Jacob Elordi, assumiu os negócios imobiliários da família, mas vive uma relação de aparências com Cassie, vivida por Sydney Sweeney. O casal encarna uma versão decadente do sonho americano — a crença cultural dos Estados Unidos na prosperidade através do esforço — escondendo dívidas e frustrações sob uma fachada de estabilidade. Lexi e Jules, interpretadas por Maude Apatow e Hunter Schafer, também surgem em situações que, até o momento, não justificam o peso do salto temporal proposto pela série.

Tecnicamente, Levinson mantém o apuro visual ao utilizar películas de 35mm e 65mm para criar um formato de tela expandido, simbolizando a saída dos personagens para o mundo selvagem além do ensino médio. Contudo, as sequências longas e a falta de edição frenética acabam por evidenciar um vazio espiritual na história. O elenco ainda conta com Alexa Demie como Maddy e participações especiais de Sharon Stone e Javon Wanna Walton. Apesar da estética impecável e do tom provocativo, a série desperta questionamentos sobre sua capacidade de manter a relevância narrativa sem se tornar um mero exercício de estilo visual.

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