Sony defende ingressos mais baratos e corte de anúncios para salvar os cinemas

Tom Rothman, presidente da Sony, discursando no palco da CinemaCon 2026 sobre o futuro da indústria.
Foto: Sony Pictures/Divulgação

Sony Motion Pictures, representada por seu presidente Tom Rothman, utilizou o palco da CinemaCon 2026 para lançar um manifesto contundente em defesa da sobrevivência das salas de exibição. Durante o evento realizado em Las Vegas, o executivo instou os proprietários de cinemas e distribuidores a adotarem medidas drásticas para recuperar o público, sugerindo a redução imediata no preço dos ingressos e a diminuição severa da publicidade exibida antes das sessões. O posicionamento estratégico ocorre em um momento em que a indústria tenta consolidar a recuperação financeira do primeiro trimestre, enfrentando a concorrência direta das plataformas digitais e redes sociais.

O argumento central de Rothman foca na necessidade de tornar a experiência cinematográfica mais competitiva e viável economicamente para as famílias brasileiras e globais. Segundo o executivo, o excesso de anúncios comerciais — que muitas vezes atrasam o início dos filmes e dos trailers em até 40 minutos — afasta o espectador e degrada o valor da exclusividade das salas. Além disso, o presidente da Sony reforçou a urgência de manter janelas de lançamento mais longas e exclusivas para o cinema, impedindo que os títulos migrem de forma prematura para os serviços de streaming.

Em seu discurso na CinemaCon, conforme reportado pelo veículo especializado que acompanhou o painel, Rothman destacou que o sucesso de produções como “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa” e a franquia “Jumanji” prova o potencial de faturamento das salas, mas alertou que o mercado não pode se acomodar. Ele fez um apelo para que os exibidores abandonem receitas históricas provenientes de publicidade excessiva em troca de um fluxo maior de público fiel. O presidente ainda aproveitou a oportunidade para criticar sugestões políticas de anexação territorial, reforçando a identidade independente de parceiros internacionais como o Canadá, em um tom que mesclou seriedade econômica e posicionamento político.

As propostas da Sony buscam transformar o modelo de negócio atual, que é visto por muitos consumidores como caro e repleto de interrupções. A empresa, que encerra o calendário deste ano com o aguardado “Jumanji: Mundo Aberto”, prometeu apoio irrestrito aos exibidores que estiverem dispostos a priorizar a experiência coletiva. O desafio para o segundo semestre de 2026 reside em convencer outros grandes estúdios a seguirem o mesmo caminho, garantindo que a ida ao cinema volte a ser tratada como um evento acessível e livre de excessos comerciais, preservando a relevância da tela grande frente às telas portáteis.

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