Carrie: nova série de Mike Flanagan se conecta a outras histórias de Stephen King

Summer H. Howell aparece como Carrie em cena da nova adaptação do romance de Stephen King.
Foto: Prime Video

A nova série de Carrie, a Estranha já está disponível no Prime Video e resgata uma das histórias mais importantes da carreira de Stephen King. Mais de 50 anos depois da publicação do romance original, a adaptação comandada por Mike Flanagan amplia elementos da obra e estabelece novas conexões com temas recorrentes no universo do escritor.

Antes de se tornar um dos autores mais conhecidos do mundo, King trabalhava como professor de inglês e enfrentava dificuldades financeiras enquanto tentava construir uma carreira como escritor. Foi nesse período que nasceu Carrie, seu primeiro romance publicado, lançado em 5 de abril de 1974.

A história quase não chegou às livrarias. Insatisfeito com as primeiras páginas, King chegou a jogar o manuscrito no lixo, mas sua esposa, Tabitha King, recuperou as páginas e o incentivou a continuar escrevendo. O sucesso do livro mudou sua trajetória profissional.

Dois anos depois, a adaptação dirigida por Brian De Palma, com Sissy Spacek no papel principal, ajudou a transformar Carrie em um clássico do terror.

Agora, a história ganha uma nova versão para o Prime Video. Flanagan mantém elementos fundamentais do romance, como o bullying, a relação conturbada entre Carrie e sua mãe, Margaret White, interpretada por Samantha Sloyan, e o famoso baile de formatura, mas amplia o universo da personagem.

A produção atualiza parte do conflito para a era das redes sociais, incorporando o cyberbullying e apresentando novas personagens para explorar o passado de Carrie, vivida por Summer H. Howell, e a existência de outras pessoas com habilidades sobrenaturais.

O poder de Carrie e o medo do que não pode ser controlado

Summer H. Howell interpreta Carrie White na nova série de Mike Flanagan para o Prime Video.
Foto: Prime Video

Os poderes telecinéticos de Carrie sempre estiveram no centro da história. No romance original, King utiliza a habilidade da personagem para abordar questões como poder, sexualidade, repressão e a maneira como mulheres podem ser vistas quando passam a exercer uma força que os outros não conseguem compreender.

A série amplia essa discussão ao apresentar diferentes mulheres com habilidades sobrenaturais que, em algum momento, foram tratadas como ameaças por causa delas.

Em Carrie, portanto, o conflito não está apenas no que a protagonista consegue fazer, mas também na reação das pessoas diante de algo que não conseguem compreender ou controlar.

É nesse contexto que Emaline, personagem inédita interpretada por Thalia Dudek, ganha importância. Diferentemente de Margaret, que tenta reprimir os poderes da filha, ela mostra a Carrie que existem outras pessoas como ela.

Essa expansão aproxima a nova série de uma temática recorrente na obra de Stephen King: personagens com capacidades extraordinárias que precisam lidar não apenas com os próprios poderes, mas também com o medo, a violência e o preconceito provocados por eles.

Como Carrie se conecta ao Kingverso de Stephen King?

A conexão de Carrie com o chamado Kingverso acontece principalmente por meio de temas e referências compartilhados com outras histórias de Stephen King. A telecinese da personagem dialoga com habilidades como o “brilho” de Danny Torrance, de O Iluminado, e com os poderes das crianças de O Instituto.

Essas histórias não necessariamente fazem parte de uma mesma continuidade direta. Em muitos casos, a ligação está na forma como King utiliza pessoas com capacidades sobrenaturais para explorar isolamento, trauma, violência, preconceito e a reação da sociedade diante do desconhecido.

Há também conexões literárias mais diretas. A Torre Negra, por exemplo, faz referências a Carrie e à própria Carrie White, enquanto A Zona Morta menciona o romance como uma obra de ficção.

A seguir, veja cinco histórias de Stephen King que ajudam a entender essas conexões.

O Iluminado e Doutor Sono

O Iluminado apresenta Danny Torrance, um garoto com uma habilidade psíquica conhecida como “o brilho”. A capacidade permite que ele tenha visões e perceba acontecimentos que outras pessoas não conseguem.

O poder também está no centro de Doutor Sono, sequência da história de Danny. A conexão com Carrie está na presença de personagens que possuem capacidades sobrenaturais e precisam aprender a lidar com elas.

O Iluminado ficou eternizado no cinema pela adaptação dirigida por Stanley Kubrick, com Jack Nicholson no papel de Jack Torrance. Já Doutor Sono ganhou uma versão cinematográfica dirigida pelo próprio Mike Flanagan, um dos principais pontos de contato entre o cineasta e o universo de King.

O Instituto

O Instituto acompanha crianças com habilidades como telecinese e telepatia que são sequestradas e levadas para uma instituição onde seus poderes são estudados e explorados.

A semelhança com Carrie está justamente na existência de pessoas com capacidades extraordinárias e no interesse de terceiros em controlar essas habilidades.

A história também ganhou uma adaptação para a televisão. Assim como a nova Carrie, O Instituto utiliza o sobrenatural para abordar controle, violência e a maneira como pessoas consideradas diferentes podem ser tratadas como ameaças.

À Espera de um Milagre

À Espera de um Milagre apresenta John Coffey, um homem condenado à morte que possui habilidades sobrenaturais relacionadas à cura, à ressurreição e à empatia.

A conexão com Carrie é principalmente temática. Coffey também possui uma capacidade extraordinária que é incompreendida pelas pessoas ao seu redor, embora seus poderes tenham uma função muito diferente dentro da história.

A obra se tornou ainda mais conhecida com a adaptação cinematográfica dirigida por Frank Darabont e estrelada por Tom Hanks e Michael Clarke Duncan.

A Torre Negra

A Torre Negra ocupa uma posição especial no Kingverso por funcionar como um dos principais pontos de conexão entre diferentes mundos e histórias criados por Stephen King.

A saga estabelece relações com diversas obras do autor, incluindo Carrie, O Iluminado e A Zona Morta. Carrie e Carrie White são mencionadas nos livros da série, incluindo uma referência em A Torre Negra VII que compara determinada situação à personagem no baile.

Isso não significa que Carrie participe diretamente da jornada de Roland Deschain. A conexão funciona principalmente como uma referência dentro da grande rede de histórias construída por King.

A Torre Negra também ganhou uma adaptação cinematográfica, com Idris Elba como Roland e Matthew McConaughey como o Homem de Preto.

A Zona Morta

A Zona Morta acompanha Johnny Smith, que desenvolve uma capacidade paranormal de perceber acontecimentos do futuro e do passado ao tocar em outras pessoas.

A relação com Carrie está novamente na presença de um personagem cuja vida é transformada por uma habilidade sobrenatural. Mas existe também uma conexão literária: Carrie é mencionada em A Zona Morta como uma obra de ficção.

A história ganhou uma adaptação para o cinema dirigida por David Cronenberg, com Christopher Walken como Johnny Smith, e posteriormente uma série de televisão.

Uma conexão baseada em temas e referências

A ligação de Carrie com o Kingverso não depende apenas de personagens compartilhados ou de uma continuidade única entre todas as histórias. Ela também está presente em temas que atravessam diferentes fases da obra de Stephen King.

Personagens com habilidades sobrenaturais aparecem em histórias como Carrie, O Iluminado, O Instituto e A Zona Morta, mas cada obra utiliza esses poderes para discutir conflitos diferentes.

No caso de Carrie, a telecinese funciona como parte de uma história sobre bullying, repressão, violência e medo. Em outras obras, habilidades semelhantes servem para abordar trauma, controle, isolamento ou a dificuldade de conviver com aquilo que foge ao que as pessoas consideram normal.

É justamente essa recorrência que aproxima Carrie de outras histórias de Stephen King. A nova série de Mike Flanagan amplia essa característica ao introduzir novas personagens e explorar de maneira mais direta a existência de outras pessoas com habilidades semelhantes às da protagonista.

Recomendado para você

Leia Também

Leitura obrigatória

Al Pacino será homenageado pelo conjunto da carreira no SAG-AFTRA Actor Awards 2027.

Quentin Tarantino termina roteiro de seu último filme, mas vai adiar produção

Al Pacino receberá o prêmio pelo conjunto da carreira no SAG-AFTRA Actor Awards 2027, em cerimônia marcada para 28 de fevereiro, em Los Angeles.