Crítica: “Adults” melhora na 2ª temporada e finalmente encontra seu próprio ritmo

Adults melhora na segunda temporada ao deixar de lado parte dos comentários geracionais e focar na convivência do grupo.
Foto: FX

“Adults” chega à segunda temporada mais confortável dentro da própria proposta. A comédia sobre cinco jovens que dividem a casa onde um deles cresceu ainda trabalha com as inseguranças de quem está tentando entrar na vida adulta, mas agora parece entender melhor que não precisa transformar cada situação em um comentário sobre a geração que representa.

Esse é justamente o principal avanço dos novos episódios. A primeira temporada precisava apresentar Samir, Billie, Paul Baker, Issa e Anton e descobrir como eles funcionariam juntos. Na segunda, a convivência já está estabelecida, e a série pode se concentrar nas pequenas situações que tornam essa amizade tão caótica.

O grupo funciona melhor quando a série deixa os personagens respirarem

Adults retorna na 2ª temporada com os cinco amigos enfrentando novos conflitos enquanto dividem a mesma casa.
Foto: FX

“Adults” continua acompanhando cinco amigos na casa dos vinte anos que compartilham praticamente tudo: espaço, problemas financeiros, relacionamentos e decisões questionáveis. A premissa poderia facilmente cair em uma coleção de conflitos artificiais, mas a segunda temporada encontra mais graça justamente quando deixa a personalidade de cada personagem conduzir as histórias.

Paul Baker (Jack Innanen) é um dos melhores exemplos. O personagem ganha mais espaço e começa a mostrar lados que não apareciam com tanta força antes. A descoberta de que ele mantém um grupo secreto de amigos de seus primeiros tempos em Nova York funciona porque entra em choque com a personalidade que seus colegas de casa já conhecem.

Issa (Amita Rao) também continua sendo uma das fontes mais consistentes de situações absurdas. Suas decisões impulsivas não servem apenas para criar uma piada atrás da outra; elas ajudam a estabelecer uma personagem que já possui uma identidade própria dentro do grupo.

A convivência continua sendo a melhor parte

Adults ganha uma 2ª temporada mais segura e encontra seu próprio ritmo ao explorar a convivência entre os protagonistas.
Foto: FX

O grande trunfo de “Adults” está menos nas histórias individuais e mais na maneira como uma decisão de um personagem inevitavelmente interfere nos outros. Afinal, eles não são apenas amigos. Eles moram juntos.

Isso muda a escala dos problemas. Um relacionamento mal resolvido não fica restrito ao casal. Uma situação constrangedora na casa rapidamente vira assunto de todos. Até decisões pessoais acabam encontrando cinco opiniões diferentes dentro da mesma sala.

A segunda temporada aproveita melhor essa característica e entende que a casa pode funcionar quase como um personagem. O espaço compartilhado força os protagonistas a permanecerem próximos mesmo quando seria muito mais fácil simplesmente evitar alguém.

Uma comédia que encontrou seu ritmo

Os protagonistas de Adults enfrentam novas situações da vida adulta na segunda temporada da série.
Foto: FX

Outro avanço está no humor. “Adults” ainda brinca com temas ligados à vida dos jovens adultos, mas os episódios funcionam melhor quando deixam de depender exclusivamente dessa identificação geracional.

As melhores situações poderiam acontecer com personagens de idades diferentes porque nascem da convivência, da vergonha e das relações entre eles. Isso faz a série parecer menos preocupada em provar que entende os jovens e mais interessada em contar histórias engraçadas sobre pessoas específicas.

É uma diferença importante. Quando uma comédia encontra personagens que funcionam por conta própria, ela deixa de depender tanto de referências ao momento cultural em que foi produzida.

A segunda temporada ainda tem limitações

Segunda temporada de Adults aprofunda a relação entre os cinco amigos e aposta mais na personalidade de cada personagem.
Foto: FX

Nem tudo funciona no mesmo nível. A série continua recorrendo a situações exageradas e algumas histórias parecem mais interessadas em chegar a uma piada específica do que em desenvolver completamente o conflito.

Também existe uma redução na sensação de urgência em torno da vida profissional dos personagens. O desemprego, o subemprego e a dificuldade de construir uma carreira continuam presentes, mas agora fazem parte do cotidiano do grupo. Isso torna a série mais leve, embora também diminua parte da tensão que poderia alimentar alguns episódios.

Por outro lado, essa escolha combina com o momento atual da produção. “Adults” não precisa mais apresentar seus protagonistas como pessoas completamente perdidas. Eles continuam sem saber exatamente o que estão fazendo, mas já aprenderam a conviver com essa incerteza.

O elenco é o que sustenta a série

Malik Elassal, Lucy Freyer, Jack Innanen, Amita Rao e Owen Thiele formam um conjunto que funciona melhor conforme a série passa mais tempo com eles. A química entre os cinco permite que conflitos pequenos ganhem proporções maiores simplesmente porque todos têm uma maneira diferente de reagir.

As participações especiais, incluindo Gaten Matarazzo e Zosia Mamet, também ajudam a movimentar a temporada sem tirar completamente o foco do grupo principal.

Vale a pena assistir à 2ª temporada de Adults?

Sim, principalmente para quem sentiu que a primeira temporada ainda estava tentando descobrir o que “Adults” queria ser. A segunda temporada mostra uma comédia mais segura, que confia mais nos próprios personagens e menos na necessidade de explicar constantemente o comportamento de uma geração.

“Adults” continua sendo uma série sobre pessoas que ainda não descobriram como ser adultas, mas essa ideia agora parece menos uma premissa e mais uma consequência natural da vida dos protagonistas. Eles trabalham quando conseguem, se relacionam como podem, dividem a mesma casa e continuam cometendo erros.

É justamente nessa falta de controle que a série encontra seu melhor material. “Adults” não se tornou uma comédia completamente diferente na segunda temporada. Ela simplesmente parece ter descoberto como ser a série que queria ser desde o começo.

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