Matt Brittin, diretor-geral da BBC, revelou que recebeu recentemente um episódio de 50 minutos de “Doctor Who” criado inteiramente com Inteligência Artificial. O executivo classificou o resultado como “muito bom”, mas afirmou que a tecnologia ainda não deve substituir o trabalho humano.
A declaração foi feita durante a conferência da Royal Television Society, em Londres. Brittin não revelou quem produziu o episódio nem deu detalhes sobre como a inteligência artificial foi utilizada na criação do material.
“Alguém me enviou um episódio de 50 minutos de ‘Doctor Who’ que foi gerado por IA no outro dia. É muito bom”, afirmou o executivo. Em seguida, fez uma ressalva sobre o avanço da tecnologia: “Não vai substituir os humanos, e nós vamos chegar a isso”.
Segundo Brittin, o avanço das ferramentas de inteligência artificial já permite que um número cada vez maior de pessoas produza conteúdos próximos do padrão de grandes estúdios. “Todo mundo tem a capacidade em suas mãos – ou seis bilhões de pessoas têm – de criar conteúdo no padrão de um estúdio de Hollywood”, declarou.
O executivo também defendeu a ideia de que a expansão dessas ferramentas transforma qualquer pessoa em potencial criadora de conteúdo. “Nem toda a criatividade é ruim”, afirmou.
A inteligência artificial foi um dos principais temas discutidos durante a convenção da Royal Television Society. Kelly Day, chefe internacional do Prime Video, também defendeu o uso da tecnologia durante o evento e afirmou que a IA pode ampliar a imaginação em vez de substituí-la.
Brittin assumiu o cargo de diretor-geral da BBC no início deste ano, após 18 anos no Google. Segundo ele, inicialmente recusou o convite para comandar a emissora por não se considerar um criador de programas ou jornalista.
A BBC já discute novas formas de utilização de inteligência artificial em sua produção de conteúdo, incluindo a possibilidade de programas serem produzidos e apresentados com auxílio da tecnologia, desde que existam limites definidos.


