“Star Trek: Strange New Worlds” finalmente colocou sua tripulação em forma de marionete. O episódio “Level Five Transporter Accident”, da quarta temporada, transforma os personagens da Enterprise em bonecos sencientes após um acidente com o teletransportador.

Os bastidores de como a produção colocou essa ideia em prática foram detalhados pela Variety. Para realizar o episódio, a equipe contou com a participação da Jim Henson’s Creature Shop e precisou adaptar os próprios cenários da Enterprise para esconder os manipuladores dos bonecos.

A ideia havia sido anunciada na San Diego Comic-Con de 2025. Jordan Canning, responsável pela direção do episódio, teve papel importante na aproximação com a equipe da Jim Henson’s Creature Shop, graças ao seu trabalho anterior no reboot de “Fraggle Rock”.
Jason Weber, supervisor criativo da Jim Henson’s Creature Shop, explicou que a equipe começou criando renderizações em 3D das versões em marionete dos personagens. O objetivo era preservar características reconhecíveis de cada integrante da tripulação, mas exagerá-las no novo formato.

No caso do Capitão Pike, por exemplo, o cabelo e os ombros largos de Anson Mount foram elementos destacados no desenho do boneco. Já a Comandante Pelia, interpretada por Carol Kane, recebeu um tratamento diferente no cabelo, feito com tubos de crina sintética moldados em espiral.
Construir os bonecos, porém, foi apenas o começo. O maior desafio apareceu quando chegou a hora de colocá-los nos cenários da Enterprise.
Os ambientes de “Strange New Worlds” foram projetados para atores humanos, e não para esconder equipes inteiras de manipuladores. Por isso, Canning e o departamento de arte precisaram encontrar espaços atrás dos consoles, na enfermaria e em outras partes dos cenários para manter os operadores fora do enquadramento.

Até ações simples exigiam planejamento. Segurar um objeto, por exemplo, poderia depender de um assistente colocando o item diretamente na mão do boneco entre as tomadas. Caminhar também exigia uma técnica específica.
Em uma cena envolvendo T’Pring e Spock, a manipuladora Donna Kimball precisou ficar deitada de costas e usar os pés para movimentar o boneco. Ao mesmo tempo, ela precisava interpretar a cena e controlar a personagem.
As sequências de ação aumentaram ainda mais a dificuldade. Uma cena em que três marionetes de sobretudo atacam um pirata contou com oito manipuladores. Já a luta final entre a tripulação da Enterprise e os piratas de Orion levou dois dias para ser filmada.

Uma tomada de Pike voando também exigiu uma combinação de estruturas, fios e manipuladores vestidos com trajes de tela verde. O objetivo era criar a impressão de que o boneco realizava movimentos que seriam difíceis de executar de maneira convencional.
Para Ethan Peck, o desafio foi diferente. Spock foi o único integrante do elenco principal que não virou marionete. Por isso, o ator precisou contracenar diretamente com os bonecos durante boa parte do episódio.
Peck contou que precisou evitar pensar constantemente que estava diante de uma marionete para preservar o peso das cenas dramáticas. A história também continua explorando o conflito de Spock entre sua herança vulcana e seu lado humano.

Segundo Canning, houve apenas um momento durante as filmagens em que Peck não conseguiu segurar o riso. Aconteceu quando o boneco de Pike tentava passar a mão pela cadeira e o movimento se prolongou até o ator finalmente cair na gargalhada.
Apesar da proposta incomum, o episódio mantém uma ligação direta com a história de Spock. A trama começa quando ele ajuda Scotty em um experimento de teletransporte e acaba envolvido no acidente que transforma a tripulação em marionetes.
No fim, a série revela que toda a aventura fazia parte de um sonho de Spock. Ainda assim, o episódio mostra o trabalho necessário para transformar uma ideia tão incomum em uma sequência de televisão que funciona tanto visualmente quanto dentro da história.




