A CAIXA Cultural Rio de Janeiro transforma o centenário de “Metrópolis”, clássico de Fritz Lang, em uma reflexão sobre o futuro que o cinema imaginou ao longo de um século. Entre os dias 4 e 23 de agosto, a mostra “Um século de Metrópolis: da invenção do futuro às ruínas do sonho moderno” reúne 69 filmes, debates e um minicurso com entrada gratuita.
Realizado na CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Unidade Passeio, o evento parte da obra de 1927 para investigar como diferentes épocas projetaram seus medos e expectativas sobre tecnologia, cidades, industrialização e desigualdade. Assim, o centenário de “Metrópolis” funciona como ponto de partida para uma programação que conecta o clássico de Fritz Lang a diferentes visões de futuro.
O principal destaque acontece em 21 de agosto, às 17h, com uma sessão especial de “Metrópolis” acompanhada por música ao vivo do cantor e compositor Negro Leo. Os ingressos são gratuitos e devem ser retirados 30 minutos antes de cada sessão ou atividade.
“Metrópolis” transformou o futuro em uma reflexão sobre a sociedade
Lançado em 1927, “Metrópolis” apresenta uma sociedade futurista dividida entre uma elite que ocupa a superfície da cidade e trabalhadores responsáveis pelo funcionamento das máquinas em uma área subterrânea.
Dirigido por Fritz Lang, o filme se tornou uma das obras mais influentes do cinema de ficção científica. Sua representação de uma cidade gigantesca, dominada pela tecnologia e marcada pela desigualdade, ajudou a estabelecer imagens que continuam presentes no gênero.
A produção também se tornou um dos grandes exemplos do expressionismo alemão. Mais de nove décadas depois, seus temas permanecem atuais justamente porque o filme não trata o futuro apenas como um espaço de invenções. Ele também questiona o preço social do progresso.
É essa relação entre passado, presente e futuro que orienta a mostra no Rio de Janeiro. Ao reunir filmes de diferentes períodos, a programação investiga como cada geração construiu sua própria ideia sobre os caminhos da humanidade.
Mostra reúne clássicos e diferentes visões sobre o futuro
A seleção percorre diferentes épocas e estilos do cinema. Entre os títulos estão “Aelita, a Rainha de Marte”, de Yakov Protazanov, “Blade Runner – O Caçador de Androides”, de Ridley Scott, e “Playtime – Tempo de Diversão”, de Jacques Tati.
A programação também inclui “A Mulher na Lua”, outro filme de Fritz Lang, lançado em 1929. Entre as produções brasileiras estão “São Paulo, Sociedade Anônima”, de Luiz Sergio Person, e “Era Uma Vez Brasília”, de Adirley Queirós.
Outro destaque é “Mundo por um Fio”, de Rainer Werner Fassbinder. A seleção também apresenta obras que discutem desenvolvimento urbano, exploração industrial, transformações no trabalho e as consequências das escolhas tecnológicas.
Desse modo, a mostra amplia o significado de “Metrópolis”. O clássico deixa de ser apenas uma obra histórica e passa a dialogar com filmes que, décadas depois, continuaram usando o futuro para discutir problemas do presente.
“Metrópolis” ganha sessão especial com música ao vivo
A sessão especial de “Metrópolis” acontece em 21 de agosto, às 17h, com acompanhamento musical ao vivo de Negro Leo. A apresentação cria uma nova experiência para o clássico de Fritz Lang, concebido originalmente como um filme mudo.
A trama acompanha uma metrópole futurista marcada por uma profunda divisão social. Enquanto os habitantes privilegiados vivem na parte superior da cidade, os trabalhadores permanecem em uma região subterrânea responsável pela manutenção das máquinas.
Essa oposição entre humanos, máquinas e estruturas de poder ajudou a transformar “Metrópolis” em uma referência para futuras representações de sociedades distópicas. A influência da obra alcança histórias sobre Inteligência Artificial, automação, controle tecnológico e conflitos sociais.
Debates aproximam “Metrópolis” dos problemas do presente
Além das sessões, a programação promove debates sobre questões presentes em “Metrópolis” e nas demais obras selecionadas. Os encontros discutem urbanização, catástrofes ambientais, tecnologia e a relação entre pessoas e máquinas.
Entre as mesas estão “Metrópolis do Brasil”, com Hernani Heffner e Frederico Benevides; “Metrópolis inundada: cidades do futuro, catástrofes do presente”, com Thiago Canettieri e Ana Paula Morel; e “O monstro tecnológico: humanos, máquinas e seus híbridos”, com Luiz Carlos Oliveira Jr. e Zoy Anastassakis.
As atividades também contam com tradução para Libras, ampliando o acesso à programação.
Minicurso amplia discussão sobre a história do cinema
A programação inclui ainda um minicurso conduzido por Fernando Martín Peña, com tradução simultânea para português. A atividade aprofunda a discussão sobre a história do cinema, a linguagem audiovisual e as diferentes formas usadas pelos filmes para representar o futuro.
Serviço da mostra “Um século de Metrópolis”
Evento: Um século de Metrópolis: da invenção do futuro às ruínas do sonho moderno
Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Unidade Passeio
Data: de 4 a 23 de agosto
Entrada: gratuita
Ingressos: retirada 30 minutos antes de cada sessão ou atividade
Sessão especial de “Metrópolis”: 21 de agosto, às 17h, com acompanhamento musical ao vivo de Negro Leo
Ao celebrar os 100 anos de “Metrópolis”, a mostra não apenas recupera um marco da ficção científica. A programação também propõe olhar para o presente através das perguntas que o filme de Fritz Lang deixou sobre tecnologia, desigualdade e progresso. Um século depois, o futuro imaginado pelo cinema continua servindo como espelho para a sociedade.





