Crítica de ‘Patrulha Canina: O Filme dos Dinossauros’: A aventura dos filhotes encontra uma crise ambiental que expõe as contradições da franquia

Patrulha Canina: O Filme dos Dinossauros amplia a aventura da franquia com novos cenários.
Foto: Paramount Pictures

“Patrulha Canina: O Filme dos Dinossauros” tenta fazer algo maior do que a própria franquia já havia apresentado. A nova aventura leva os filhotes policiais para uma ilha pré-histórica, adiciona dinossauros, amplia o espetáculo visual e aposta em uma escala mais próxima de um grande filme de animação. O problema é que, ao tentar crescer, o longa também revela as limitações da visão de mundo que sempre esteve presente na série.

Para o público infantil que acompanha a franquia, a fórmula continua funcionando: cães heroicos, veículos coloridos, missões de resgate e uma mensagem constante sobre coragem e trabalho em equipe. Mas, quando observada com mais atenção, a história apresenta contradições curiosas sobre natureza, tecnologia e autoridade.

Uma aventura maior para uma franquia que já conhece sua fórmula

Patrulha Canina: O Filme dos Dinossauros leva os filhotes para uma aventura em uma ilha pré-histórica.
Foto: Paramount Pictures

Para quem não conhece “Patrulha Canina”, a premissa é simples: um grupo de filhotes treinados, cada um com uma função específica, resolve problemas e combate situações de emergência sob o comando de Ryder, um garoto de dez anos.

Nesta nova aventura, a equipe está no mar quando uma tempestade muda completamente o caminho da missão. Após o acidente, os filhotes chegam a uma ilha isolada onde descobrem que dinossauros continuam vivendo livremente e encontram Rex, um cão paraplégico que construiu sua própria comunidade naquele ambiente.

A mudança de cenário representa uma tentativa clara de renovar a franquia. A ideia de misturar cães de resgate com criaturas pré-históricas poderia parecer apenas uma estratégia comercial, mas o filme aproveita a oportunidade para criar um mundo visualmente mais ambicioso.

O visual é o maior salto da franquia

Marshall e os filhotes da Patrulha Canina enfrentam uma nova missão com dinossauros.
Foto: Paramount Pictures

O principal destaque de “Patrulha Canina: O Filme dos Dinossauros” está na construção desse novo ambiente. A ilha possui uma riqueza visual que chama atenção, especialmente nas sequências envolvendo a floresta, a iluminação noturna e os momentos de maior escala.

Uma das cenas mais marcantes acompanha Marshall, o filhote bombeiro que assume maior protagonismo, explorando a região durante a noite. O cuidado com sombras, cores e atmosfera cria momentos que surpreendem dentro de uma produção voltada principalmente para crianças pequenas.

O problema é que esse refinamento visual acaba entrando em contraste com personagens que continuam seguindo uma estética bastante artificial. Os olhos exageradamente grandes dos filhotes e seus movimentos extremamente calculados reforçam uma sensação de distância emocional, deixando a animação menos natural do que o cenário ao redor.

A mensagem ambiental entra em conflito com a própria história

Os filhotes da Patrulha Canina exploram uma ilha com criaturas pré-históricas no novo filme.
Foto: Paramount Pictures

O maior problema do filme está na maneira como ele trabalha sua relação entre preservação e progresso. A ameaça principal vem do Prefeito Humdinger, que invade a ilha buscando explorar seus recursos naturais e transforma o ambiente em um espaço de destruição.

A crítica parece clara: ganância e exploração desenfreada causam consequências negativas. Entretanto, o roteiro cria uma contradição ao ignorar o papel dos próprios heróis na transformação daquele lugar.

Ao revelar a existência da ilha para as autoridades, os filhotes acabam iniciando uma cadeia de acontecimentos que coloca em risco o equilíbrio daquele ambiente. A narrativa nunca questiona essa decisão, tratando a ação dos cães como naturalmente correta apenas porque eles representam a ideia tradicional de heroísmo.

Essa diferença entre a mensagem pretendida e o desenvolvimento da história torna a política ambiental do filme confusa. O longa defende a proteção da natureza, mas também associa progresso e tecnologia aos personagens considerados bons, enquanto transforma qualquer forma de exploração em algo negativo apenas quando praticada pelo vilão.

Marshall ganha espaço em uma aventura de ação competente

Apesar dessas limitações, o filme funciona melhor quando abandona suas mensagens mais simplistas e se concentra na aventura. As sequências envolvendo a atividade vulcânica da ilha entregam uma sensação de perigo maior do que a franquia normalmente apresenta.

Marshall recebe um arco mais desenvolvido ao enfrentar suas próprias inseguranças enquanto tenta provar seu valor. Essa tentativa de aprofundar um dos personagens ajuda a dar algum peso emocional a uma história que poderia facilmente ser apenas uma sequência de resgates.

O longa também mantém o ritmo necessário para seu público-alvo, evitando momentos longos demais de exposição e apostando em ação constante.

Uma expansão visual que ainda carrega os limites da franquia

“Patrulha Canina: O Filme dos Dinossauros” representa um avanço técnico para a série e mostra uma ambição maior em sua construção visual. A aventura na ilha, os dinossauros e as sequências de ação dão ao filme uma escala que supera as produções anteriores.

Mas a expansão também evidencia os problemas da franquia: personagens construídos a partir de arquétipos muito simples e uma visão de mundo que nem sempre combina com as próprias mensagens de cooperação e preservação que tenta transmitir.

No fim, o terceiro filme da Patrulha Canina entrega um entretenimento razoável para o público infantil, com momentos visualmente impressionantes e uma aventura mais grandiosa. Porém, ao tentar falar sobre natureza, tecnologia e responsabilidade, acaba revelando contradições que tornam sua mensagem muito menos clara do que seus próprios heróis imaginam.

Leia Também

Leitura obrigatória

Warner Bros. confirma que Wonka 2 continua em desenvolvimento após rumores de adiamento indefinido.

Wonka 2: Warner Bros. desmente adiamento e confirma que sequência continua em desenvolvimento

Wonka 2 continua em desenvolvimento após a Warner Bros. negar rumores de adiamento indefinido da sequência estrelada por Timothée Chalamet.

Recomendado para você