Crítica: A Grande Gilly Hopkins encontra força na atuação de Sophie Nélisse em uma história sobre abandono e afeto

a-fabulosa-gilly-hopkins-critica-2015
Foto: Lionsgate

“A Grande Gilly Hopkins” poderia facilmente cair no caminho mais previsível das histórias infantis sobre superação, mas a adaptação dirigida por Stephen Herek encontra seu maior valor justamente na dificuldade de sua protagonista. Gilly não é uma criança criada para conquistar imediatamente o público: ela é amarga, desconfiada e agressiva, uma garota que aprendeu a afastar as pessoas antes que elas tenham a chance de abandoná-la.

Interpretada pela atriz canadense Sophie Nélisse, Gilly é uma personagem que carrega suas próprias contradições. Aos 12 anos, depois de passar por diferentes lares adotivos, ela chega à casa de Mamie Trotter (Kathy Bates), uma mulher religiosa, carinhosa e completamente diferente de tudo aquilo que a menina acredita precisar. O encontro entre as duas cria o centro emocional do filme: uma relação construída inicialmente pelo conflito, mas que revela aos poucos uma necessidade mútua de afeto.

Sophie Nélisse transforma uma personagem difícil em uma presença marcante

A Grande Gilly Hopkins destaca a relação entre Gilly e sua nova família adotiva.
Foto: Lionsgate

O grande acerto de “A Grande Gilly Hopkins” está na escolha de Sophie Nélisse para o papel principal. A atriz, conhecida por trabalhos como “Monsieur Lazhar” e “A Menina que Roubava Livros”, consegue transmitir toda a dureza da personagem sem transformar Gilly apenas em uma criança rebelde.

Seus olhares de desprezo, o sarcasmo constante e a maneira como ela enfrenta adultos e colegas de escola revelam uma garota inteligente que utiliza a hostilidade como uma forma de proteção. Nélisse entende que Gilly não é simplesmente mal-educada: ela é uma criança tentando controlar uma situação em que nunca teve controle sobre nada.

Essa abordagem impede que o filme trate sua protagonista como uma vítima passiva. Gilly comete erros, machuca pessoas e toma decisões questionáveis, mas o roteiro entende que suas atitudes são consequência de uma vida marcada pela instabilidade emocional.

Kathy Bates cria uma das relações mais importantes da história

Sophie Nélisse interpreta Gilly Hopkins em drama infantil sobre adoção e vínculos familiares.
Foto: Lionsgate

Ao lado de Nélisse, Kathy Bates constrói uma Mamie Trotter cheia de humanidade. A personagem poderia ser apenas a figura da mãe adotiva perfeita, mas Bates evita qualquer excesso de idealização. Sua interpretação mostra uma mulher amorosa, mas também firme, capaz de compreender Gilly sem aceitar todos os seus comportamentos.

A relação entre as duas funciona porque o filme não tenta criar uma conexão instantânea. O carinho nasce lentamente, através de pequenos momentos, conflitos e descobertas. Mamie representa exatamente aquilo que Gilly mais teme: alguém que realmente se importa com ela.

O elenco ainda conta com Octavia Spencer como a professora Harris, Glenn Close como Nonnie e Julia Stiles como a mãe biológica de Gilly, personagens que ajudam a ampliar o debate sobre abandono, expectativas familiares e as diferentes formas de amor.

Uma adaptação que preserva as imperfeições da protagonista

A Grande Gilly Hopkins apresenta Gilly em uma jornada emocional sobre família e pertencimento.
Foto: Lionsgate

Baseado no romance infantil de Katherine Paterson, autora também de “Ponte para Terabítia”, o filme mantém uma das principais características da obra original: a recusa em apresentar crianças como figuras perfeitas ou moralmente simples.

Gilly é inteligente, mas também cruel em alguns momentos. Ela tenta manipular situações, age por impulso e carrega preconceitos que precisa enfrentar ao longo da narrativa. Essa escolha torna a história mais interessante, porque a transformação da personagem não acontece por uma grande revelação, mas pelo contato com pessoas que mostram a ela uma realidade diferente.

O problema é que Stephen Herek nem sempre consegue equilibrar todos esses elementos com a mesma força. Alguns momentos parecem seguir uma estrutura mais tradicional de drama familiar, diminuindo o impacto das questões mais complexas levantadas pelo filme.

Um drama infantil sobre aprender a aceitar o amor

A Grande Gilly Hopkins mostra Sophie Nélisse como uma garota marcada por abandono e busca por afeto.
Foto: Lionsgate

Mesmo com algumas limitações, “A Grande Gilly Hopkins” funciona porque entende que histórias sobre infância também podem falar sobre sentimentos difíceis. O filme não apresenta uma jornada simples de redenção, mas acompanha uma garota que precisa aprender que ser amada não significa perder sua independência.

A força da produção está justamente na interpretação de Sophie Nélisse, que transforma uma personagem inicialmente desagradável em alguém capaz de despertar empatia. Ao lado de Kathy Bates, ela constrói uma relação que sustenta todo o filme e mostra que, muitas vezes, as pessoas mais difíceis de alcançar são justamente aquelas que mais precisam ser encontradas.

Leia Também

Leitura obrigatória

Warner Bros. confirma que Wonka 2 continua em desenvolvimento após rumores de adiamento indefinido.

Wonka 2: Warner Bros. desmente adiamento e confirma que sequência continua em desenvolvimento

Wonka 2 continua em desenvolvimento após a Warner Bros. negar rumores de adiamento indefinido da sequência estrelada por Timothée Chalamet.

Recomendado para você