Crítica: Supergirl tenta reinventar a heroína da DC com atitude punk, mas falha em sua própria identidade

Milly Alcock interpreta Supergirl em cena do filme da DC Studios dirigido por Craig Gillespie.
Foto: Warner Bros

O universo da DC Studios tenta encontrar uma nova identidade apostando em personagens conhecidos sob uma abordagem diferente. Em “Supergirl”, essa proposta surge através de uma versão mais rebelde e distante da imagem tradicional da heroína, transformando Kara Zor-El em uma viajante marcada por traumas, excessos e uma postura de confronto com o próprio legado kryptoniano.

A intenção do filme dirigido por Craig Gillespie é apresentar uma Supergirl menos clássica e mais próxima de uma figura marginal dentro de um universo de ficção científica. Porém, ao tentar construir uma atmosfera de irreverência e rebeldia, a produção acaba presa a uma estética que parece mais preocupada em afirmar sua própria atitude do que em desenvolver uma narrativa realmente envolvente.

Supergirl tenta transformar Kara Zor-El em uma heroína distante do modelo tradicional

Milly Alcock interpreta Supergirl em cena do filme da DC Studios dirigido por Craig Gillespie.
Foto: Warner Bros

Desde seus primeiros momentos, o filme deixa claro que não pretende repetir a imagem conhecida da Supergirl como uma heroína otimista e inspiradora. Milly Alcock interpreta Kara como uma personagem marcada pela sobrevivência, alguém que cresceu em meio ao colapso de Krypton e carrega uma relação complicada com sua própria origem.

A escolha de apresentar uma protagonista mais impulsiva e descontrolada poderia funcionar como uma forma interessante de explorar as consequências de uma infância marcada pela perda. O problema é que o roteiro transforma essa característica praticamente em toda a personalidade da personagem, deixando pouco espaço para aprofundar seus conflitos internos.

Alcock demonstra presença e consegue transmitir uma energia diferente para Kara, criando uma protagonista com potencial. Entretanto, a personagem nunca alcança a complexidade necessária para sustentar uma jornada emocional mais forte.

A estética punk não consegue compensar a fragilidade da narrativa

"Supergirl" apresenta Kara Zor-El em uma versão mais rebelde e distante da heroína tradicional da DC.
Foto: Warner Bros

Grande parte da identidade de “Supergirl” está na tentativa de criar um universo visual mais agressivo e caótico. Planetas decadentes, criaturas alienígenas exageradas e uma trilha sonora marcada pelo rock fazem parte da busca do filme por uma atmosfera de rebeldia.

Essa abordagem poderia funcionar caso estivesse acompanhada de uma história igualmente ousada. Porém, o longa frequentemente parece mais interessado em demonstrar que é diferente do que realmente explorar as consequências dessa diferença.

A chamada atitude punk acaba se tornando uma característica repetida constantemente pela própria produção, criando uma sensação de artificialidade. O filme tenta transmitir liberdade e provocação, mas muitas vezes parece uma grande produção tentando parecer independente.

A ameaça de Krem não consegue sustentar o conflito principal

Cena de "Supergirl" destaca o universo de ficção científica e a nova abordagem da personagem kryptoniana.
Foto: Warner Bros

O antagonista Krem das Colinas Amarelas surge como uma ameaça violenta dentro desse universo espacial. Interpretado por Matthias Schoenaerts, o personagem aposta em uma presença visual exagerada, misturando elementos de ficção científica e fantasia pós-apocalíptica.

Apesar do conceito interessante, Krem nunca alcança o peso necessário para se tornar um grande vilão. Suas ações servem principalmente para movimentar a história, mas o roteiro não desenvolve uma motivação capaz de transformar o confronto em algo mais significativo.

A trama envolvendo o resgate de Krypto e a busca por vingança de Ruthye também contribui para a sensação de que o filme possui objetivos simples demais para uma produção que tenta parecer mais complexa.

Milly Alcock encontra potencial em uma personagem mal desenvolvida

Milly Alcock aparece como Supergirl em uma aventura espacial que explora o passado e os conflitos de Kara Zor-El.
Foto: Warner Bros

O maior destaque de “Supergirl” está justamente em sua protagonista. Milly Alcock possui uma presença capaz de transmitir a rebeldia e a vulnerabilidade que o filme procura alcançar, criando momentos em que Kara parece uma personagem mais interessante do que o próprio roteiro permite.

A atriz consegue equilibrar a postura agressiva da heroína com sinais de fragilidade, principalmente quando o filme explora sua relação com o passado e com a perda de Krypton.

Porém, a falta de desenvolvimento impede que essa interpretação alcance todo seu potencial. Kara é apresentada como alguém em conflito, mas o longa raramente transforma esse conflito em uma verdadeira jornada de transformação.

Um espetáculo visual que não encontra força emocional

Visualmente, “Supergirl” aposta em grandes sequências de ação e em um universo cheio de criaturas e cenários fantásticos. A produção busca criar uma escala espacial semelhante aos grandes épicos de ficção científica, misturando elementos de fantasia, aventura e humor.

Em alguns momentos, essa criatividade visual funciona, principalmente quando o filme abraça completamente seu lado mais exagerado. Entretanto, o excesso de referências e a tentativa constante de parecer irreverente acabam diminuindo o impacto das cenas.

A direção de Craig Gillespie demonstra competência técnica, mas não consegue reproduzir a personalidade que marcou trabalhos anteriores do cineasta. A energia provocativa existe mais na superfície do que na construção dos personagens.

Supergirl representa uma tentativa frustrada de renovar o cinema de heróis

“Supergirl” possui uma ideia interessante ao tentar apresentar uma versão diferente de Kara Zor-El, distante da imagem tradicional da heroína. O problema está na execução, já que o filme confunde personalidade com excesso de estilo e rebeldia com repetição.

A produção tenta fugir das fórmulas tradicionais dos filmes de super-heróis, mas acaba criando uma nova fórmula baseada justamente na tentativa de parecer diferente. A estética punk, os personagens exagerados e a postura provocativa não conseguem esconder a fragilidade do roteiro.

Com uma atuação comprometida de Milly Alcock e alguns momentos visualmente criativos, “Supergirl” demonstra potencial em sua proposta, mas não consegue transformar essa ambição em uma experiência realmente marcante. O filme queria ser uma ruptura dentro do gênero, porém acaba preso à própria necessidade de provar que era diferente.

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