A fusão entre Paramount Skydance e Warner Bros. Discovery ainda depende de uma etapa judicial antes de poder ser concluída. A juíza federal Araceli Martínez-Olguín marcou para quinta-feira (24) uma audiência para analisar questões pendentes relacionadas ao acordo firmado entre a Paramount e uma coalizão de 12 procuradores-gerais estaduais que havia contestado a operação.
A audiência acontecerá às 11h no horário do Pacífico, equivalente às 15h no horário de Brasília, por meio do Zoom. Segundo a ordem assinada pela juíza na terça-feira (22), o encontro vai abordar questões sobre os fundamentos factuais e jurídicos do decreto de consentimento proposto, além de sua implementação.
O acordo anunciado nesta semana prevê uma série de compromissos para encerrar o processo antitruste movido pelos estados contra a fusão. Entre eles está a obrigação de manter um determinado volume de lançamentos nos cinemas, além de investimentos adicionais na produção cinematográfica nos Estados Unidos. A aprovação judicial ainda é necessária para que os termos entrem em vigor.
Nos dois primeiros anos, a empresa combinada deverá lançar pelo menos 30 filmes por ano, sendo 20 deles com distribuição ampla. Nos três anos seguintes, a meta sobe para 32 produções anuais, com pelo menos 21 lançamentos amplos por ano. O acordo também prevê pelo menos quatro filmes independentes em cada ano do período de compromisso.
Outro ponto envolve a cobertura jornalística. A empresa deverá criar um conselho de independência editorial para acompanhar padrões jornalísticos na CNN e na CBS News. O acordo também prevê um monitor independente para supervisionar o cumprimento das obrigações assumidas pela companhia.
O pacote inclui ainda um compromisso de pelo menos US$ 1,5 bilhão em investimentos adicionais na produção cinematográfica doméstica ao longo de cinco anos, além de um fundo de US$ 47,5 milhões destinado a treinamento e desenvolvimento profissional de trabalhadores afetados pela fusão.
A audiência que trataria de um pedido anterior da Paramount também foi cancelada. A empresa havia solicitado que os estados e o Writers Guild of America (WGA) apresentassem uma garantia de US$ 1,88 bilhão para cobrir possíveis perdas financeiras caso a companhia vencesse o processo. Com os acordos firmados, essa questão perdeu relevância.
O WGA também encerrou sua ação contra a fusão após chegar a um acordo separado com a Paramount. O sindicato afirmou que continua considerando que a operação pode prejudicar roteiristas e a indústria, mas concordou com o acordo que prevê, entre outras medidas, US$ 17,5 milhões para seu fundo de saúde e restrições a demissões de roteiristas na CBS News por cinco anos.
Apesar dos acordos, a fusão ainda não está oficialmente concluída. A juíza afirmou que não decidiu sobre a entrada em vigor do decreto de consentimento nem sobre a suspensão da medida que impede o fechamento da operação. A audiência de quinta-feira será, portanto, uma nova etapa antes de uma decisão sobre o acordo.



