The Comeback termina com IA assumindo papel de Valerie Cherish

Valerie Cherish em The Comeback é retratada no episódio final da série da HBO, que aborda o impacto da inteligência artificial na televisão.
Foto: Divulgação

Cinco minutos antes dos créditos finais, “The Comeback” encerra sua temporada com um tom mais sombrio e reflexivo. Valerie Cherish, interpretada por Lisa Kudrow, finalmente atinge o auge da carreira ao se tornar o rosto de um programa de sucesso da plataforma fictícia NuNet. Ao mesmo tempo, ela passa a representar uma nova fase da televisão, agora dominada por roteiros gerados por Inteligência Artificial — algo que dentro da própria narrativa já é tratado como normal pelo público.

O episódio posiciona Valerie no centro de uma mudança estrutural na indústria. Ao perceber que não se sente confortável com a substituição de roteiristas por IA, ela tenta se afastar da produção. No entanto, descobre que também pode ser substituída digitalmente, já que havia cedido direitos de uso de sua imagem em contratos anteriores. A partir daí, o conflito se estabelece entre manter seus princípios ou aceitar um sistema que já não depende mais dela da mesma forma.

O dilema de Valerie

No desenvolvimento da trama, surge uma alternativa que impede sua saída definitiva. Um produtor influente propõe criar um novo papel especialmente desenvolvido para Valerie, preservando sua identidade dentro da estrutura do programa. A personagem, então, ganha uma nova chance de permanência na indústria, agora adaptada às mudanças impostas pela tecnologia e pelo novo modelo de produção.

Esse movimento reforça o conflito central da temporada: a tensão entre crítica à automação criativa e a necessidade de manter Valerie como figura ativa e relevante. Em diferentes momentos, a narrativa oscila entre uma sátira da indústria audiovisual e uma abordagem mais afetiva em relação à protagonista.

Final entre crítica e homenagem

No encerramento, Valerie participa de uma última entrevista em que reafirma sua visão sobre autonomia e controle da própria carreira. A cena final sugere que sua trajetória não é definida por humilhação ou fracasso, mas por decisões individuais dentro de um sistema em constante transformação.

O resultado é um final ambíguo, que equilibra crítica e homenagem sem oferecer uma conclusão totalmente fechada. A série encerra sua temporada reforçando tanto a transformação da indústria do entretenimento quanto a permanência simbólica de Valerie Cherish como figura central desse universo.

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